Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Arquivo

Sexualidade: novas formas, nova conexão

A partir de ferramentas como aplicativos de relacionamentos, deflagra-se na sociedade contemporânea a permissão para experimentar desejo e afeto fora dos limites do corpo e do espaço

TEXTO Luciana Veras

01 de Janeiro de 2017

"Editar-se é controlar o que o outro vê e mergulhar no fluxo livre da subjetividade e da sexualidade."

Arte Matheus Calafange

[conteúdo da ed. 193 | janeiro 2017] 

Em setembro de 2016, entre os dias 14 e 16, o Museu de Arte do Rio – MAR promoveu o seminário internacional Eros e Dioniso – Amor e sexualidade na cultura contemporânea. Na mitologia grega, Eros é o deus do amor e Dioniso, a divindade das festas, do prazer, do vinho – Cupido e Baco, respectivamente, no sincretismo romano. Realizado no âmbito do MAR na Academia, o encontro trouxe diversos especialistas para discutir tópicos relacionados ao exercício e à reflexão desses assuntos cabais da contemporaneidade. Não seria estranho imaginar painéis sobre sexualidade sendo apresentados dentro de um museu? Qual a relevância artística e comportamental de uma discussão como essa?

Questões assim, outrora compreensíveis, não mais se aplicam. A sexualidade transbordou. Tal como o mar, incontrolável e vasto, ultrapassou as esferas da alcova ou das ciências da mente para ser pensada como um dos elementos essenciais para a constituição do sujeito na atualidade e das representações que esse mesmo sujeito assume perante si, os outros e o mundo na era da hiperconectividade. Falar sobre isso não cabe mais apenas aos divãs, sussurros em rodas de amigos ou aos papos pós-coito; falar sobre isso é viver nas fímbrias de um contemporâneo que incita e liberta a sexualidade.

Ensaísta e pesquisadora argentina radicada no Rio de Janeiro, professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF e idealizadora de Eros e Dioniso, Paula Sibilia abriu o seminário no MAR mencionando as trocas intelectuais e afetivas estabelecidas com o compatriota Christian Ferrer, um dos responsáveis pela ideia de falar “de um certo mal-estar que fomos detectando nos relacionamentos afetivos e sexuais” e ainda “de outros pactos que incluem as possibilidades emocionais e sexuais, o estímulo ao gozo e à realização em todos os ambientes, a satisfação total e constante no terreno da sexualidade e o clima altamente erotizado em uma cultura como a nossa”. “O interesse acadêmico pela sexualidade subiu muito nos últimos anos. Esse é um assunto que nos atravessa com muita potência”, resumiu Sibilia.

Qualquer elaboração sobre o mal-estar da civilização contemporânea, para citar o título de uma das obras mais lidas e citadas de Sigmund Freud (1856–1939), passa pela análise de como se vivencia, com potência e outra cadência, a sexualidade nos tempos de nudes (autorretratos sensuais ou de nudez explícita partilhados no ambiente virtual) e aplicativos de relacionamentos. Já em 1976, o filósofo francês Michel Foucault (1926–1984) vaticinava, no primeiro dos três volumes de A história da sexualidade: “Não existe uma estratégia única, global e válida para toda a sociedade e uniformemente referente a todas as manifestações do sexo. A ideia, por exemplo, de muitas vezes se haver tentado, por diferentes meios, reduzir o sexo à sua função reprodutiva, à sua forma heterossexual e adulta e à sua legitimidade matrimonial não explica, sem a menor dúvida, os múltiplos objetivos visados, os inúmeros meios postos em ação na política concernente aos dois sexos, às diferentes idades e às classes sociais”.

São várias as estratégias, é fato, e “talvez um dia cause surpresa”, prossegue Foucault, que tanto continue a se falar disso: “Não se compreenderá que uma civilização tão voltada, por outro lado, para o desenvolvimento de imensos aparelhos de produção e destruição tenha achado tempo e infinita paciência para se interrogar com tanta ansiedade sobre o que é do sexo”. Mas o sexo, as insustentáveis manifestações do desejo, a inevitável associação com amor e mesmo um constante questionar-se sobre o que significa o “amor” – tudo isso faz parte das interrogações recorrentes de quem estuda ou experimenta.

Nesse contexto, uma palavra que surge com recorrência é reinvenção: a possibilidade de ser múltiplo, de assumir personas e de explorar a sexualidade para além de visões estanques de gênero e preferências. “Penso que há algo da ordem da simpatia a ser reinventado”, expôs o filósofo húngaro radicado no Brasil Peter Pál Pelbart, um dos palestrantes em Eros e Dioniso – Amor e sexualidade na cultura contemporânea. “Como diz David Lapoujade, a partir de Henri Bergson, a simpatia não é identificação. Simpatizar com alguém não é simpatizar com a pessoa, mas com o seu movimento; simpatizar não com o outro, mas com o devir do outro e também com o devir outro do outro. Simpatizar com o que se torna diferente à medida que o cruzamos. Talvez seja o mais difícil: ser sensível sempre a algo que nos escapa, compor-se com o que nos escapa quando esse escape faz variar a nossa própria composição”, refletiu o professor do Departamento de Filosofia e do Núcleo de Estudos da Subjetividade da pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC–SP.

Tais movimentos de contínua recomposição desembocam na chance de ter um perfil no Tinder e perseguir algo completamente diferente no Happn ou em qualquer outro aplicativo (leia sobre aplicativos na matéria da página 54); na possibilidade de reacender o desejo após a perda de um cônjuge ou de atravessar barreiras e provar relações com pessoas do mesmo sexo sem dramas de consciência ou questionamento moral; e na oportunidade de se editar, oferecendo ao mundo uma versão nova, distinta e nem por isso menos legítima do seu “eu”.

“EGO EDITÁVEL”
Afinal, vivemos a era do “ego editável”, como aponta Marina Pinheiro, professora do Departamento de Psicologia e do Programa em Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva da UFPE. Essa expressão nasceu no seu artigo A paixão pela imagem: o eu como cenógrafo das virtualidades do si mesmo, publicado pela Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental. “Trabalhei com a noção de um ego editável. Ao falar do sujeito que se avatariza, penso também que essa plataforma é uma espécie de transicionalidade lúdica. Esse sujeito quer se redescrever. Todo mundo, na visão de Nietzsche, quer marcar sua história enquanto um poeta forte. A virtualidade digital e a transicionalidade, termo que pego emprestado de Winnicott, podem ser vistas como uma ambiência: um campo outro, diferente do aqui e agora, que permite um tempo de edição”, afirma em entrevista à Continente, aludindo ao psicanalista e pediatra inglês Donald Winnicott (1896-1971) e ao conceito de transicionalidade como a fricção entre as realidades interna e externa; o encontro entre o espaço íntimo e subjetivo e o universo construído socialmente, muito além do “eu”.

O estudo deriva de sua observação de um fórum de adolescentes, pesquisados no tocante ao hábito de se fotografar defronte um espelho. “Aquela prática era uma forma de ver a frente e o avesso da foto. Nas fotos tradicionais, a parte de trás da fotografia não tinha imagem; era o excedente de visão, o ponto cego. A partir disso, veio essa ideia de que o ego editável não deixa de ser uma tentativa de capturar, ludicamente e como uma afirmação política também, toda essa parte de mim que não tenho como ver. Só me coloco em perspectiva a partir das respostas que os outros dão. Nesse ego editável, ele se presentifica de forma a elidir as marcas cegas ao, supostamente, postar o que quero”, percebe Marina.

Editar-se é controlar o que o outro vê e mergulhar no fluxo livre da subjetividade e da sexualidade. Estela Miazzi é uma artista visual paulistana que usa o aplicativo Tinder desde 2014. Pode se relacionar com homens e mulheres e não vê problemas em pensar seu vínculo com o Tinder como “um joguinho”. “É uma janela para se expor do jeito que você quer. Se eu quiser, em São Paulo, colocar no meu perfil que só quero conhecer homens, ok. Se chego ao Recife, posso acionar só para que outras mulheres me vejam. Isso não quer dizer que sou isso ou aquilo, e, sim, que estou aberta. É um cardápio e não me incomoda. É prático: você olha as fotos e diz ‘sim’, ‘não’ e, se quiser, dá match e nem conversa”, detalha. “Dar match”, na linguagem do aplicativo, significa o aceno positivo e mútuo à paquera.

O cantor e compositor baiano Lucas Santanna escreveu Funk dos bromânticos para seu álbum Sobre noites e dias (2014). Estela cita a letra para exemplificar o que ela enxerga de mais importante no uso do Tinder e seu viés de liberdade e libertação: a escapatória dos rótulos. “Ele beija ela, ela beija ele/ mas se rolar um clima/ ele beija ele, ela beija ela, para eles o amor é livre/ Ela não é gay, ele não é viado, e não são mais classificados”. “A fuga do normativo é essencial. É uma forma política para se questionar gênero e as normatividades das relações. Se um homem que nunca beijou outro homem na balada sente vontade de experimentar, ele vai lá e beija. E está ok, se teve ou não teve tesão, pois está aberto a isso. As músicas do Lucas Santanna, do Liniker e do Jaloo estão sendo feitas para refletir o que as pessoas estão consumindo: esse estilo de vida de se achar no outro e explorar todas as possibilidades”, pontua a artista visual.

ARENA DO CORPO
E a principal arena para tais explorações é o corpo. É o corpo do nude que é mandado via WhatsApp ou pelo Snapchat;o corpo que perde as características usualmente associadas a gênero e assume uma sedutora androginia; o corpo que transgride regras que outrora foram impostas pela sociedade e já se mostram caducas. E dele é preciso se reaproximar, na visão do iogaterapeuta Fernando Sujan, para que a sexualidade seja exercitada na plenitude. “O maior órgão do nosso corpo é a pele e é, também, a nossa maior zona erógena. Na era da globalização, houve um distanciamento do próprio corpo. Como posso dar prazer sem conhecer o meu próprio corpo ou sem permitir que o outro me toque? O que houve que fez com que eu me fechasse em concha e não me entregasse mais? As pessoas vêm para a iogaterapia em busca de uma reconexão consigo mesmas. Vivemos uma era de muita liberdade, mas também de uma imensa solidão coletiva. O toque é o grande instrumento para vivenciar tudo”, condensa Sujan, do Instituto Anubhava de Hatha Yoga e Ayurveda.

Facilitador de oficinas de massagem tântrica no Recife, ele explica que o tantra é uma herança da ancestralidade hindu e existe há quase cinco mil anos: “Na filosofia do tantra, todos os seres são essencialmente bissexuais. Não há nada no nosso corpo físico que possa garantir que uma pessoa só vai gostar de homens ou de mulheres. Pelo contrário, somos seres capazes de nos apaixonar e estabelecer relações, sexuais inclusive, com todos. Mas, como no Ocidente tudo chega esfacelado, tem quem pense no tantra apenas como putaria. Não é: há um componente espiritual de possibilidade de conexão com a kundalini, a energia sexual e vital do corpo. O próprio Freud dizia que toda força criativa é sexual não genital, porque a energia sexual é de criação. E o tantra, segundo Osho, não é moral ou imoral: é amoral”. No tantra, o ser é coabitado por sete corpos: o físico, o etéreo, o astral, o mental, o espiritual, o cósmico e o nirvânico.

O toque, o sexo que libera a kundalini e as experiências que reaproximam as pessoas de si, à medida que as despem do medo de se relacionar com outros, são as ferramentas de ressignificação. “Ao mesmo tempo, nas oficinas de massagem tântrica, com o uso de óleos, respiração e do toque, trabalhamos a aceitação do corpo como ele é, longe dos padrões que a sociedade tenta impor”, diz Sujan, que valoriza a importância de estar atento à sexualidade ante o turbilhão de estímulos e excessos que o mundo atual oferece: “Florescer em torno da kundalini é uma porta rápida para se conectar com o sagrado”.

LUGAR DE ENCONTRO
Ao lado de reinvenção, conexão é verbete crucial quando se emparelha subjetividade e sexualidade. Além de se conectar consigo e seus desejos, o sujeito pode estabelecer vínculos com pares que, não fosse a mediação do dispositivo, nunca viria a conhecer. O engenheiro Vilson de Oliveira passou 38 anos num casamento “que não foi um relacionamento qualquer” e ficou viúvo em 2015. Perdeu a mãe dos filhos e companheira de vida, viveu o luto e, da tristeza, demorou a se reerguer. Porém, entre junho e novembro de 2016, permitiu-se ser usuário do Tinder: “Antes, nem sabia que existia. Em princípio, fiquei com pé atrás por ser uma ferramenta tecnológica e as pessoas me diziam que era só pegação, só sexo. Mas vi que não, que podia ser uma caminho para conhecer pessoas com quem você divide mil afinidades. Se passassem na rua, ao seu lado, você nunca descobriria, a não ser que tivesse uma bola de cristal”.

Atualmente morando em São José dos Campos, ele reconta sua experiência com a percepção de que só seria possível vivê-la estando disposto a se reconectar com sua individualidade após quase quatro décadas de relacionamento. “As pessoas que entram lá estão abertas a se relacionar de todos os jeitos. Quando entrei, no meu perfil, coloquei que tinha 61 anos e que, por ser viúvo há pouco tempo, não estava com vontade de ter um relacionamento sério. Deixei bem claro no meu perfil. Achei que ninguém iria se interessar ou curtir, mas apareceu um monte de gente interessante. Algumas queriam casar ou namorar, mas eu não estou a fim de dividir teto com ninguém. Meu objetivo era conhecer gente, compartilhar, conversar, trocar ideias. Conheci mulheres muito legais de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Cunha, de Bragança, num raio de 100 km de São José. Foi ótimo construir pontes com pessoas que talvez nunca cruzassem meu caminho”, comenta Vilson.

Seu testemunho denota a adaptabilidade que também cinzela as práticas e expressões da sexualidade na cultura contemporânea. “Pequenos ideais ou novas experiências podem, de repente, servir de boia e então eu me visto e me avatarizo de acordo com aquele cenário e paisagem”, sugere a psicóloga Marina Pinheiro, da UFPE. Adaptar-se é, portanto, poder cambiar de personagem como quem troca de roupa. Mas a subjetividade nem sempre alcança o passo proposto pelo espírito do tempo. “O psicanalista Jurandir Freire Costa diz que as mudanças culturais têm interferência muito grande no modo como subjetivamos. Elas têm uma velocidade maior do que conseguimos agir na nossa subjetividade”, observa Claudine Alcoforado, coordenadora do curso de Psicologia da FBV DeVry e psicóloga clínica.

Em The times they’re a-changing, de 1964, o compositor norte-americano Bob Dylan, laureado com o Nobel de Literatura de 2016, já prenunciava a velocidade nas reconfigurações: “Venham, mães e pais (…) e não critiquem o que não conseguem entender/ Seus filhos e filhas estão além do seu comando/ E sua antiga estrada está envelhecendo rapidamente/ Por favor, saiam da rua nova se não conseguirem ajudar em algo/ Porque os tempos estão mudando”. Em A moon shaped pool, um dos lançamentos fonográficos mais importantes do ano passado, a banda inglesa Radiohead descrevia o hoje em Present tense: “Essa dança é como uma arma de legítima defesa contra o presente/ o tempo presente/ não ficarei pesado/ vamos manter leve e em movimento/ não estou fazendo mal algum enquanto meu mundo desaba/ eu estarei dançando/ aterrorizando”.

As pessoas seguem a bailar enquanto as tecnologias avançam e o mundo quase entra em colapso; à subjetividade, cabe a busca por equilíbrio. “É como se nossa subjetividade fosse marcada pelo tempo, pela história, pelas nossas questões, mas vamos engatinhando enquanto as mudanças acontecem numa grande celeridade. Nossa subjetividade tenta arrumar lugar, tenta buscar referências anteriores, mas algumas não cabem mais, e aí vamos buscar novas referências que não sabemos ainda quais são. Nossos processos subjetivos seguem em passo mais lento. O que às vezes soa estranho, aos poucos, vai se tornando familiar, enquanto a subjetividade caminha devagar”, acrescenta Claudine Alcoforado.

Músico baiano que mora em São Paulo desde 2014, Gustavo Reis é tradução de um processo de subjetivação que soa estranho para alguns, porém perfeitamente acolhedor para ele e a mulher com quem se relaciona há poucos meses – a artista visual Estela Miazzi; sendo uma síntese do alargamento do escopo da sexualidade. Estela chama Gustavo de Flora, alcunha que ele adotou. “Acho lindo o apelido, um belo nome feminino. Todo mundo acha que sou gay, na perspectiva dessa energia feminina que tenho muito forte mesmo. Esse nome que ela me deu foi a confirmação de tudo”, comenta, ao resgatar a trajetória do casal à Continente.

Embora seja refratário à hiperconectividade (“me incomoda muito a obsessão por uma velocidade de resposta, estamos sofrendo uma dependência de tecnologia e isso está deixando as pessoas chateadas e doentes; sou do tipo de pessoa que visualiza a mensagem, não responde e demora a responder”), Gustavo conta que conheceu Estela no Tinder, quando ele deu um super like no perfil dela. E que advogam a liberdade de estar com outras pessoas. “Monogamia não dá certo. Toda vez que menti pra mim mesmo, por uma pressão da minha parceira, achando que ia ficar só com ela, nunca rolou e só deu problema, sofrimento, autossabotagem. Com Estela é tranquilo, pois ela me dá espaço para ser quem eu sou, me entende, me aceita, pois somos parecidos nesse sentido. É assim que nos relacionamos e gostamos de estar juntos”, resume o músico.

TEMPOS FRATURADOS
O mito do amor é narrado por Platão em O banquete. No seminário Eros e Dioniso – Amor e sexualidade na cultura contemporânea, para o qual foi convidado a partir da entrevista sobre a utopia do silêncio que deu à Continente, publicada em abril de 2016, o filósofo Peter Pál Pelbart lançou mão da mitologia para falar do amor nos tempos fraturados do contemporâneo. Consta que, na era dos deuses gregos, os seres se dividiam em três gêneros – masculino, feminino e andrógino – e possuíam quatro mãos, quatro pés e “uma força e vigor terríveis”, nas palavras de Platão. Ao desafiar o Olimpo com sua audácia de subir à morada divina, foram atingidos por raios de Zeus, que os separou, condenando-os a vagar eternamente à cata de seu complemento – a história ganhou força lírica na canção The origin of love, da trilha sonora da peça e do filme Hedwig (2001), de John Cameron Mitchell.

“O amor vem a ser essa tentativa de resgatar a antiga natureza, de curar a ferida do corte, restituindo uma inteireza originária ou uma completude. O que move os seres é a busca de um estado primitivo, uma integridade primeva, a unidade originária da totalidade rompida”, concatenou Pelbart. Mas se deve ir além da constatação de que reencontrar a metade é impossível, como ele mesmo argumentou: “Em vez de ficar girando na impossibilidade, sustentando os analistas, é melhor cavalgarmos na linha de fuga. Talvez seja mais difícil amar no outro não sua identidade, mas a sua bifurcação, a partir do ponto em que ele se distancia dele mesmo”. Dos desvios, das novas rotas e das propostas abertas se erigem os modos de rearmar a sexualidade. 

 

 

Publicidade

veja também

Alguns episódios da Revolução de 1817

Malta: joia insular

Caboclinho: agora, patrimônio cultural nacional

comentários