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Comentário

As ovelhas negras russas

Comunidade LGBT no país precisa se ocultar sob imagens e atividades que sublimam suas escolhas sexuais, criminalizadas pelos Estado e perseguidas pelo conservadorismo

TEXTO SUZANA VELASCO
ILUSTRAÇÕES MANUELA DOS SANTOS

02 de Maio de 2018

Ilustração Manuela dos Santos

 

[conteúdo na íntegra (degustação) | ed. 209 | maio 2018]


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A ativista russa Tatiana Vinnichenko escreveu-me em inglês as indicações para chegar ao Moscow Community Center (MCC): estação de metrô, nome da rua, número do prédio, segunda entrada. Na hora marcada, eu estava em frente a um edifício repleto de lojas, com algumas portas que indicavam acesso aos andares superiores. Após alguns minutos, já ao fim do quarteirão, avistei um portal que levava à parte de trás do extenso edifício. Não havia outra entrada, mas dezenas de portas numeradas. Toquei a campainha da segunda delas, sem resposta. Meu telefone não funcionava. Mostrei o endereço a pedestres, entrei nas lojas da frente, mas ninguém sabia onde ficava aquele lugar ou não entendia inglês. Depois de meia hora, a atendente de uma farmácia aceitou ligar para o centro. Do outro lado da linha: “Vá para os fundos do prédio, Tatiana vai te esperar do lado de fora”. Lá estava ela, em frente a uma porta sem nome e sem número, apenas com um pequeno desenho de uma ovelha negra grudado com durex.

O périplo até o local foi uma síntese de meu encontro com ativistas LGBT na capital russa, em março deste ano, em que revelaram tanto uma abertura para falar sobre o tema quanto uma apreensão constante com a exposição no espaço público; um trabalho apaixonado pela causa LGBT permeado por uma cautela com o lado de fora de lugares protegidos. Havia uma permanente apreensão no ar, mas também um desejo de lutar dentro do país para garantir direitos ameaçados na última década, sobretudo após a lei que proíbe “propaganda de sexo não tradicional” a menores de 18 anos. Aprovada em 2013, com 436 votos e uma abstenção na Duma, a Câmara de Deputados russa, ela ficou conhecida no Ocidente como lei antigay ou lei da propaganda gay. Na prática, toda manifestação pública de apoio aos direitos LGBT está potencialmente proibida, já que pode ser presenciada por um menor de idade. Por isso são longos os caminhos até que se encontrem espaços seguros onde os ativistas se sintam livres para falar.

No dia anterior, a visita à ONG LaSky, em Moscou, fora uma experiência semelhante. O número do endereço indicava entradas para um restaurante e um banco, além de um pátio interior com salas onde ninguém conhecia o nome da associação. Uma garçonete que falava inglês me mostrou a passagem para um beco virando a esquina, mas também ali foi difícil encontrar a porta com um papel onde se lia a palavra LaSky, além de outras em russo. Uma mulher leu as informações e me levou para o prédio ao lado, terceiro andar. Subi e deduzi que a porta com adesivos nas cores do arco-íris era meu destino. Lá dentro, no espaço privado, havia pôsteres de homens gays nas paredes, além de livros, panfletos e postais dedicados à prevenção do HIV entre eles, muitos com o adesivo “18+”.

O diretor executivo da LaSky, Andrey Beloglazov, e o gerente de projetos, Dmitry Kharchevnikov, estavam à espera numa sala com café e biscoitos. Os dois discutiam em russo o que seria dito. Andrey olhou para mim com as mãos no rosto e fez uma pausa. “A gente não sabe se você está mesmo interessada em direitos humanos”, explicou Dmitry, tradutor da conversa para o inglês. “Especialmente nos últimos anos. tentamos não falar com jornalistas, sobretudo os russos. Andrey só dá entrevista a estrangeiros que não publicam nada na Rússia. Ele sabe que qualquer coisa que disser será usada de forma inapropriada.” A preocupação contrastava com a espontaneidade com que outro funcionário da ONG havia atendido meu telefonema pela manhã, quando me apresentei como uma jornalista brasileira: “Pode passar aqui hoje”. Ali também havia uma aparente contradição entre abertura e receio.

 
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Epidemiologista e ativista desde os anos 1990, Andrey Beloglazov foi convidado em 2005 pela fundação Population Services International (PSI), sediada em Washington, para criar um programa de prevenção ao HIV em Moscou. Assim surgiu a LaSky, focada em homens gays. O braço russo do PSI atuava no país desde 1995, com foco em HIV, tuberculose e saúde reprodutiva, mas foi fechado em 2010, devido às relações estremecidas entre Rússia e Estados Unidos. A LaSky continuou funcionando com financiamento de 300 mil dólares anuais da fundação Helseutvalger, vinculada ao Ministério da Saúde da Noruega. A redução de recursos, porém, limitou o trabalho da ONG, que não consegue mais fazer treinamento de equipes de prevenção e se concentra no aconselhamento, na orientação de uso de camisinha e na realização de testes.

“O Estado não impediu nosso trabalho, somos uma organização oficial, registrada. Nosso material oficial quase não tem referência a LGBTs, mas as autoridades sabem que trabalhamos com homens gays”, disse Andrey. No entanto, desde 2013, suas atividades estão ainda mais limitadas porque não podem ser divulgadas informações voltadas a homossexuais nas ruas, justamente num momento em que a Rússia vive uma epidemia de HIV. “O problema é que adolescentes também precisam de ajuda. Se eles vêm até aqui, não nos recusamos a atender. Recebemos pessoas de 18 anos já com HIV”, contou Dmitry.

Só chega à LaSky quem está vinculado a alguma rede de apoio e consegue enfrentar o medo. “Ouvimos constantemente de nossos clientes que médicos discriminam gays em hospitais e usam discurso de ódio, xingamentos, por isso eles têm receio de ir para centros de saúde oficiais. Em algumas regiões, há médicos que nem imaginam que homens possam ter relações sexuais entre si”, disse Dmitry. Eu, que cresci condenando toda associação entre HIV e homossexualidade, entendi a necessidade de um trabalho de prevenção direcionado a “homens que praticam sexo com outros homens”, como dizem os ativistas, justamente pela invisibilidade desses homens na sociedade russa. “A principal razão é o estigma, a discriminação contra essas pessoas. Ninguém vai ajudar a gente, senão a gente”, diz Andrey.

Andrey, 52 anos, usa aliança. Ele é oficialmente casado e tem uma filha, que vive com a mãe fora de Moscou. Imagino que seu receio de falar com jornalistas russos vá além da preocupação com a distorção de informações. A ex-mulher sabe que ele é homossexual, mas ele tem medo de que a filha e os pais descubram. Andrey é conhecido em toda a rede de ativismo LGBT na Rússia, seus amigos sabem o que ele faz, mas a aliança não sai do dedo, evidenciando as rígidas fronteiras entre o público e o privado, entre o que se permite ver e o que deve ser adulterado ou silenciado. “Há muitos homens gays na mesma situação, principalmente das gerações mais velhas. São casados para não atrair a atenção da sociedade.”

 
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O sexo entre homens tem uma história de criminalização na Rússia que remonta ao século XVIII, quando, em 1716, a “sodomia” foi proibida no Exército e na Marinha pelo czar Pedro I. Em 1835, a proibição foi estendida aos civis por Nicolau I e ficou em vigor até 1917, quando uma política de gênero foi usada pelos comunistas em oposição ao poder da Igreja Ortodoxa. Em 1933, porém, o ditador Josef Stalin criminalizou a homossexualidade masculina com pena de prisão e trabalhos forçados.

Esse momento é identificado por pesquisadores como Dan Healey como o nascimento da homofobia política moderna na Rússia. Em seu livro Homophobia from Stalin to Sochi (Homofobia de Stalin a Sochi, sem tradução no Brasil), o professor de História Russa Moderna da Universidade de Oxford aponta para a rotina de vigilância policial da atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo, sobretudo homens, e para o silenciamento das práticas punitivas aos homossexuais nos arquivos russos. Mesmo sendo um dos alvos dos campos de trabalho forçado entre as décadas de 1930 e 1950, os cidadãos LGBT foram excluídos do processo de reabilitação das vítimas de Stalin, numa ausência de reconhecimento que reforça sua invisibilidade social.

A lei só foi extinta em 1993, momento de abertura política com o fim da União Soviética e início de mobilização da sociedade civil russa. O incipiente ativismo LGBT, desde então, sofreu reações conservadoras, em geral com acusações de que era uma luta importada, ocidental. Em 2002, o Parlamento cogitou restabelecer a lei stalinista e discutiu proibir o lesbianismo, mas sem sucesso. Pouco a pouco, iniciativas regionais foram abrindo o caminho a uma nacionalização do silenciamento de pessoas LGBT. Em 2006, a prefeitura de Moscou proibiu a parada gay. No mesmo ano, a província de Riazan aprovou uma ordenação proibindo a propaganda do “homossexualismo” a menores. E em 2011 e 2012, uma série de cidades, como Arcangel e São Petersburgo, aprovou leis regionais antipropaganda.

De acordo com Healey, o declínio do apoio ao partido de Vladimir Putin, Rússia Unida, nas eleições parlamentares de 2011, foi crucial para intensificar sua campanha homofóbica, numa estratégia de mobilizar sentimentos nacionalistas e religiosos para se eleger presidente em 2012. “Essa asserção de ‘soberania moral’ é parte de uma narrativa política doméstica e internacional mais ampla desenvolvida pelo Kremlin, a Rússia Unida e a Igreja Ortodoxa Russa condenando o feminismo e a política LGBT como ‘extremista e estrangeira’, e ao mesmo tempo promovendo ‘valores familiares tradicionais’ heterossexuais como verdadeiros à nação russa”, afirma o professor em seu livro.

 
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Apesar de a criminalização ter sido voltada aos homens, mulheres lésbicas também sofreram perseguições cotidianas durante o stalinismo, não de todo extintas. Tatiana Vinnichenko, 44 anos, contou que deixou sua cidade natal, Arcangel, de 350 mil habitantes, depois que o reitor da universidade onde ensinava ameaçou demiti-la, se ela não escondesse sua orientação sexual. A ativista, que era diretora da organização Rakurs, mudou-se para a capital, onde fundou, no fim de 2015, o Moscow Community Center (MCC). Quando encontrou o espaço para alugar, vestiu um casaco de pele e se maquiou para encontrar a proprietária, que se mostrou preocupada com a movimentação de gays, lésbicas e transgêneros à noite. Tatiana conseguiu o contrato, pago por uma fundação sueca, com a promessa de que haveria silêncio absoluto depois das 22h. “Acham que tudo relacionado à comunidade LGBT diz respeito a sexo.”

Vinculado ao Russian LGBT Network, uma rede de associações, o MCC tem 24 voluntários que organizam exposições, sessões de filmes, debates, aulas de idiomas e aconselhamento jurídico. Com sua ovelha negra na porta, o centro quer ser um espaço íntimo onde se pode falar normalmente sobre qualquer assunto. Mas com a apreensão que cerca o ativismo hoje na Rússia. “A lei diz que não se pode falar com menores de idade, mas, na verdade, ela proíbe ações públicas e leva a mensagem à sociedade de que os direitos de pessoas LGBT podem ser retirados. Os meios de propaganda passam a ideia de que não se pode confiar na gente. O homossexual não se sente no direito de falar sobre isso normalmente em casa”, disse a ativista, que é voluntária na direção do MCC e, como trabalha num projeto feminista internacional, não tem mais medo de perder o emprego.

Tatiana é uma figura pública e dá entrevistas abertamente, mas preserva aquele espaço físico como um segredo. Em seu cartão de visitas e no site do centro há um telefone, mas não o endereço. Um evento público em fevereiro deste ano foi realizado em outro espaço, para que a localização do MCC fosse preservada. Os voluntários recomendam aos conhecidos que tragam pessoas com mais de 18 anos, mas, se alguém chega pedindo ajuda, ninguém pergunta a idade. “Aqui é um lugar clandestino, podemos ser atacados.” Só depois de anos de ativismo, contou, ela perdeu o medo de participar de protestos e usar símbolos associados à causa. No dia em que conversamos, Tatiana vestia um cordão com as cores do arco-íris. “Meu casaco estava aberto e o policial ficou me encarando no metrô.”

 
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O primeiro projeto de lei contra a propaganda a menores falava especificamente de homossexuais, lésbicas e transgêneros e estava vinculado ao código criminal, mas ele não foi aprovado. O Kremlin precisava de uma legislação mais refinada com a qual reforçasse a ideia de valores tradicionais no país, mas pudesse manter alguma aparência de garantia de direitos. A lei em vigor fala em “relações sexuais não tradicionais” e se vincula à legislação para menores. Putin e políticos de sua base de apoio se referem a ela como uma proteção às crianças, negando qualquer relação dessa suposta proteção com discriminação. Eles reiteram uma construção de ideia de nação oposta a práticas que seriam importadas do Ocidente e em oposição aos valores da sociedade russa e da Igreja Ortodoxa, fiel parceira do governo. No fim das contas, a essência da Rússia seria heterossexual, e homossexuais não são incomodados desde que se mantenham invisíveis.

A deputada Elena Mizulina, uma das propositoras da lei em vigor – então chefe do Comitê de Família, Mulheres e Crianças da Duma – vinculava explicitamente homossexuais e transgêneros à pedofilia. Na época de discussão da legislação, Putin chegou a fazer um discurso a favor dos direitos LGBT, mas posteriormente defendeu a lei como uma defesa contra a pedofilia. Essa relação não é incomum num país onde, de acordo com pesquisa do instituto russo Levada, de 2013, 35% acreditam que a homossexualidade é uma doença e 43% consideram que é um hábito ruim, resultado de abuso ou má educação. Entre os extremistas que fazem esse vínculo, o grupo Occupy Pedophilia atrai jovens LGBT pela internet para encontros amorosos, que na verdade são armadilhas de humilhação e violência.

O número de registros de ataques homofóbicos cresceu na Rússia após a lei antigay e a mídia ocidental deu atenção aos casos, sobretudo antes dos Jogos Olímpicos de Inverno 2014, em Sochi. Hoje, o assunto parece ter voltado ao esquecimento e, quando se fala em protestos ou boicote à Copa do Mundo deste ano, os motivos são de política internacional.

Eram vésperas das eleições presidenciais quando me encontrei com os ativistas russos, que já sabiam que Putin ganharia o pleito e questionavam a legitimidade da votação. O tema somente foi levantado pela candidata de oposição Xenia Sobchak, âncora de TV, que defende a união civil LGBT. Xenia se manifestou contra um vídeo anônimo homofóbico e xenofóbico que se tornou viral durante a campanha política, ameaçando eleitores: se eles não votassem, corriam riscos como serem obrigados a adotar homossexuais abandonados pelas famílias. “Expor as pessoas LGBT a uma ameaça num país homofóbico não é uma piada”, disse ela. Não se conhece até hoje o responsável pelo vídeo, mas o comparecimento às urnas foi considerado alto, de 67%, e Putin foi reeleito com o recorde de 76% dos votos.

 
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Samuel Sifuentes, 31 anos, é transgênero. O russo-peruano, que traduziu para o espanhol a entrevista com Tatiana, fez mudança de sexo há quatro anos e agora quer mudar o documento do filho de 12, que ainda leva seu nome de mulher. Em seu emprego de guia e intérprete, ele teve que assinar um documento dizendo que não demonstraria fazer parte de “um grupo discriminado”. Samuel já foi detido em protestos e obrigado a guardar sua bandeira durante seus tours. Enquanto se exige que comportamentos não heteronormativos fiquem dentro do armário, “o trans não pode se esconder”, como ele diz. Sua não conformidade à norma é mais evidente no próprio corpo.

Esse aspecto se ressaltou quando conversei com o advogado Andrew Obolensky, ativista russo transgênero de 31 anos, que se identifica como mulher, mas ainda carrega o nome masculino, e não pensa em mudar porque já é conhecido (ele decidiu usar a versão em inglês para seu nome no alfabeto latino). Quando nos encontramos numa estação de metrô moscovita, ele usava camisa masculina e botas de salto alto, o cabelo em tamanho médio, as unhas compridas. Dava amostras de feminilidade, mas parecia não querer se expor totalmente naquele espaço, evitando manifestações de transfobia. Andrew já foi espancado diversas vezes, uma delas no jardim de seu prédio, por usar roupas de mulher.

Em seu conjugado fora do centro de Moscou, Andrew me contou como começou no ativismo organizado em 2009, participando de grupos de apoio para pessoas LGBT. No ano seguinte, fundou a associação Rainbow, que não tem registro oficial, mas conta com 64 membros, que pagam uma taxa para realizar atividades como a promoção da não discriminação em locais de trabalho. “Eu me sinto em perigo.... Não em perigo, mas com medo. Não me sinto livre. Hoje, todo policial sabe o que significa uma bandeira com as cores do arco-íris. A situação se tornou pior, por outro lado, temos mais organizações. A repressão ficou maior e as pessoas reagiram. Mas o país não vai deixar de ser homofóbico em cinco anos”, afirmou.

 
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Esse sentimento de que o caminho é longo é compartilhado por outros ativistas jovens. “Muitas pessoas querem que as mudanças aconteçam imediatamente, mas talvez só depois de 50, 70 anos algo mude”, disse Dmitry, 33 anos, na LaSky. Depois que todos os outros funcionários saíram, ele quis ficar ali e conversar mais. Desejava expressar a necessidade de as transformações serem feitas pelos próprios russos, na Rússia. “Hoje, não há um sentimento de comunidade dentro do grupo LGBT. Eu tento viver como os gays vivem em outros países, tento sentir um poder de comunidade que de fato não existe. Ainda temos que trabalhar muito para que as coisas mudem, porque não passou muito tempo desde a época soviética. Se eu não fizer nada para construir uma comunidade, quem vai fazer isso por mim? Cresci com o sentimento de ser parte do meu país. Se todo mundo for embora, quem vai trabalhar aqui?”

Um dos problemas para a autonomia dos russos, no que se refere ao ativismo LGBT, é que grande parte das associações depende de financiamento estrangeiro. Por um lado, isso as torna suspeitas pelo Estado. A organização que Tatiana dirigia em Arcangel, a Rakurs, foi multada em 300 mil rublos em 2015, porque se recusou a se registrar como “agente estrangeiro” no país. Por outro lado, os próprios ativistas russos perdem o controle dos rumos de suas atividades.

O ativista Petr Voskresenskii, de São Petersburgo, reconhece a necessidade de financiamento externo para que organizações LGBT tenham estabilidade na Rússia, mas vê essa dependência com olhos críticos. “O fundo estrangeiro se torna o único cliente da organização, sem saber o real estado de coisas na Rússia. Desse modo, os objetivos determinados pelo fundo muitas vezes não são relevantes para as necessidades das pessoas LGBT. Esse fundo também não possui os instrumentos para monitorar as atividades da organização russa, levando a muitos abusos de dinheiro”, disse ele, após um tour em São Petersburgo em que conta a história de homossexuais ilustres da cidade, como o compositor Tchaikovsky.

Dmitry se assumiu homossexual há 10 anos. Os pais ficaram um ano sem falar com o filho, mas hoje aceitam e ele se sente bem. Dmitry aposta na nova geração para pensar o ativismo na Rússia pós-Putin. “Sou mais aberto do que gerações mais velhas, mas os mais jovens estão ainda mais confortáveis. Os de 18, 20 anos são completamente diferentes, falam outra língua. São mais abertos, sabem muito, falam sobre homossexualidade como algo normal, não têm medo. Tenho muitos amigos com problemas, conheço pessoas que foram espancadas, mas, ao mesmo tempo, tenho amigos que são ligados uns aos outros e vivem suas próprias vidas. A mídia ocidental costuma ser maniqueísta, mas não vivemos só de coisas ruins aqui.”

SUZANA VELASCO, jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC–Rio, autora do livro Imigração na União Europeia.

MANUELA DOS SANTOS, designer e ilustradora à frente do Zezé Estúdio.

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