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Disco

A magia da cantora e compositora Kylie Minogue em seu 15º álbum

TEXTO Erika Muniz

04 de Janeiro de 2021

A cantora e compositora Kylie Minogue

A cantora e compositora Kylie Minogue

Imagem Divulgação

[conteúdo na íntegra | ed. 241 | janeiro de 2021]

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O revival da disco music é mesmo uma das tendências mais marcantes entre os lançamentos da indústria da música internacional dos últimos meses. Em qualquer passeio por playlists de pop disponíveis nas plataformas digitais, é bem provável que as canções tragam uma sensação de nostalgia, pelas escolhas dos arranjos, timbres, elementos cênicos ou audiovisuais. Não que o tom chegue a ser saudosista, já que os singles e álbuns que exploram essa estética o fazem de maneira atualizada e conectada a estes tempos, mas é como se a discoteca e os hits de décadas passadas estivessem servindo de inspiração constante.

Artistas como Dua Lipa, Jessie Ware, Róisín Murphy e as brasileiras Iza e Fernanda Abreu, por exemplo, trouxeram em seus mais recentes trabalhos vários elementos sonoros – e visuais – da disco, música eletrônica e new wave. Seguindo essa mesma linha, a cantora e compositora Kylie Minogue disponibilizou, em novembro, seu 15º álbum DISCO. A referência trazida no título ao gênero musical é evidente, já que ao longo das 16 faixas, a australiana homenageia algumas de suas principais influências, que fizeram história no ritmo sensação entre os anos 1970 e 1980.

Talvez o mais emblemático trabalho lançado por Kylie, até então, seja Fever (2001). Ou, ao menos, é o que lhe rendeu maior sucesso internacional. Com ele, a cantora conquistou rádios, palcos pelo mundo e a MTV, com faixas como Love at first sight, Give it to me e Come into my world. Mas foi com o videoclipe superfuturista de Can’t get you out of my head que ela estourou de vez. Tanto o refrão quanto a coreografia específica ainda permanecem na memória e na lista de favoritos de muitos de seus seguidores. Embora ela cultive uma identidade musical consistente, a cada lançamento – e são vários ao longo de mais de três décadas de carreira –, Minogue demonstra-se disposta a explorar os mais diversos estilos. Em DISCO, isso não foi diferente, já que escolheu experimentar temas e timbres consolidados por alguns de seus ídolos da infância, como quando escutava os vinis de ABBA, Donna Summer, The Rolling Stones e The Beatles com o pai.

Sua afinidade com o gênero, na verdade, não é de agora. Já fizeram parte de algumas de suas turnês clássicas como Dancing Queen, de ABBA, e I feel love, de Donna Summer. Nesse álbum mais recente, por sua vez, as referências a esses ícones e a outros como Chic, Diana Ross, Gloria Gaynor e Giorgio Moroder parecem inevitáveis.


DISCO é o 15º álbum da artista australiana-britânica. Imagem: Reprodução

Nascida em Melbourne, em 1968, Kylie é filha de um contador e uma ex-dançarina de balé. Mas sua trajetória artística não começou exatamente na música, e sim na dramaturgia, atuando na telenovela Neighbours. Somente no final dos anos 1980, ela lançou o single The Loco-Motion, que foi muito bem-recebido e, em seguida, veio seu primeiro álbum, cujo título leva o primeiro nome da artista.

Nos meses anteriores ao lançamento oficial de DISCO, ocorrido em novembro do ano passado, a cantora disponibilizou as faixas Say something, Magic e I love it. Para a realização do trabalho, criou uma espécie de estúdio em sua própria casa – por conta da pandemia –, aprendeu ferramentas técnicas e a executar programas de finalização, além de decidir sobre os caminhos sonoros das canções na tranquilidade de seu jardim. Entre outros nomes, a equipe de produção contou com Richard Stannard, que já produziu as Spice Girls, Duck Blackwell, Daniel Davidsen e Peter Wallevik.

A faixa escolhida para a abertura do mais novo álbum é Magic. E, nela, Kylie convida todos a dançar dali por diante, já que o ritmo acelerado do início persiste ao longo dos quase 54 minutos. A escolha do cenário para o videoclipe dessa canção é uma espécie de pista onírica, com muitas luzes e coreografias ao som de um refrão incansável: “Do you believe in magic?” (Você acredita em magia?). Entre os melhores momentos está Say something, sexta faixa, na qual uma guitarra marcante tece todo o arranjo e a melodia parece ser daquelas que não passam despercebidas entre os inúmeros lançamentos. No vídeo, a artista volta a explorar a força da imagem a partir dos signos setentistas, efeitos especiais e animações, conseguindo com que outros sentidos sejam atribuídos à sua música. Mas, como dito antes, dessa magia ela já tem o domínio desde o início do século. 

ERIKA MUNIZ, jornalista com graduação em Letras.

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