Revista Continente

sexta-feira, 18 de maio de 2012

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#137

Maio/2012

O FASCÍNIO
PELO HORROR

Por que o ser humano busca, através da arte, as sensações de medo?

Artes Visuais

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Como anda a crítica da arte no contemporâneo?

Escrito por Revista Continente   
Qua, 15 de Fevereiro de 2012 14:59

 

 

Nunca se viu tantas instalações no circuito formal (e informal) da arte na contemporaneidade. Para constatar isso, não é preciso ir a uma grande exposição, como à Bienal de São Paulo, principal evento das artes plásticas do Brasil. É comum se deparar com essa tendência numa metrópole reginal, a exemplo da cidade do Recife. A ideia de interação entre espectador e trabalho artístico (Arte Relacional), em contraposição à contemplação clássica da arte, é considerada um novo valor social, típico da pós-modernidade. O espírito desses novos cultivadores das belas-artes pode ser elucidado a partir da justificativa de artistas como o britânico Liam Gillick, nascido em 1964: “Meu trabalho é como a luz de uma geladeira, só funciona quando existem pessoas lá para abrirem a porta. Sem as pessoas, não é arte – é uma outra coisa, - coisas em uma sala”.


A 12ª edição da Revista Tatuí de Crítica e Arte foi lançada no final deste mês e traz importantes questionamentos acerca da crítica de arte contemporânea. Na publicação, as editoras Ana Luisa Lima e Clarissa Diniz convidaram os artistas Lígia Nobre, Luisa Duarte, Paulo Reis, Thaís Rivitti e Tiago Santinho para escreverem sobre uma crítica de arte à escolha deles, que tivesse sido publicada no Brasil, na última década. Nesse processo, surgiu, ainda, a oportunidade de traduzir o texto Estética Relacional e Antagonismo, da norte- americana Claire Bishop, não publicado no Brasil até este momento. No ensaio, a autora discute as perdas e ganhos da arte contemporânea a partir do trabalho de artistas notáveis como Gillick, citado anteriormente, e do pensamento de alguns teóricos, entre eles Umberto Eco.


Em Estética Relacional e Antagonismo, Bishop tem como ponto de partida a inspeção atenta de algumas reinvindicações feitas para trabalhos de arte “abertos”, realizados no Palais de Tokyo, no Japão - Nicolas Bourriaud, principal teórico da estética relacional, é codiretor da instituição. Em seguida, a autora discute o que seria, de fato, a arte relacional; apresenta critérios para um julgamento estético amplicado a ela; exibe os antagonismos provocados por esses trabalhos e, ainda, a não identificação e autonomia de obras etéreas. Como exemplo dessa última, ela comenta os trabalhos do artista Santiago Sierra, nascido em 1966. Ele documenta ações, a exemplo da intitulada Ten People Paid to Masturbate (Dez Pessoas Pagas para se masturbaraem), de 2000, na qual documenta o fato em fotografias preto e branco e video.

Interessante observar que Sierra utiliza outras pessoas como performers e enfatiza a remuneração que elas recebem pelo serviço prestado. Ao tentar concluir seu objeto de estudo, Bishop acredita que a Arte Relacional teria um papel social mais significativo se fosse baseada na exposição daquilo que é reprimido na sociedade, ao invés de sustentar uma aparência de harmonia, assim como muitas obras contemporâneas. Seguno ela, isso proveria bases mais concretas e polêmicas para repensar nossa relação com o mundo e uns com os outros.

Como anda a crítica da arte no contemporâneo?
 
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