Revista Continente

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Capa Revista do Mês

#137

Maio/2012

O FASCÍNIO
PELO HORROR

Por que o ser humano busca, através da arte, as sensações de medo?

BannerDestaques

Imprimir
 

Roberta Sá continua festiva em 'Segunda pele'

Escrito por Gianni Paula de Melo   
Seg, 30 de Janeiro de 2012 15:25

 

 

Dois anos depois do lançamento de Quando o canto é reza, CD que reverenciava o compositor Roque Ferreira, Roberta Sá apresenta seu novo trabalho, com repertório no qual predominam canções inéditas. Segunda pele marca um ponto de ruptura e continuidade da intérprete. Por um lado, vemos a redução dos sambinhas e uma aposta em uma maior variedade de ritmos, assim como em mais experimentações sonoras. Ao mesmo tempo, a artista parece querer quebrar a tônica angelical de sua obra, trazendo uma lírica sensual mais acentuada, o que se percebe desde a letra da música que dá título ao disco (“Quando ele vem, faço dele/Minha luva, meu collant”).

 

No entanto, muitos traços dos seus trabalhos anteriores se fazem presentes. Em seu quinto disco de carreira, Roberta Sá ainda é uma voz do romance, do feminino, a mesmíssima de Que belo estranho dia pra se ter alegria. A sensação de estranhamento só prevalece se o disco for colocado lado a lado com o trabalho que realizou com o Trio Madeira Brasil, já que, ali, o clima era de Recôncavo Baiano, enquanto o novo CD tem tom de metrópole, com seus metais, sopros e pegada pop. Não vai ser estranho se, em breve, alguma das canções estiver figurando na trilha sonora das novelas da Globo.

 

O mérito da intérprete tem sido, justamente, conseguir criar discos de alta qualidade e contagiantes, cativando um público de perfil variado. A forma como a cantora se relaciona com sua própria arte, sempre solar e festiva, também colabora para conquistar a simpatia de todos. O ponto forte desse seu novo trabalho é a segurança que ele passa, característica que parece emanar tanto da profissional quanto da mulher Roberta Sá. Na faixa O nego e eu, ela afirma sem titubear: “Gosto de ser vista pelas festas/Ser seguida pelas frestas/Protagonista do sonho alheio”. A composição de João Cavalcanti, membro do Casuariana, também é a prova de que o samba pode não ser o carro-chefe de todos os trabalhos da artista, mas que sempre estará marcando presença na sua obra.

 

Nesse novo CD, mesmo as canções que apontam uma relação às voltas ou uma crise pessoal tem um toque de possibilidade, de otimismo, de incerteza benigna. Seja nas dúvidas de Você não poderia surgir agora (“Alguma coisa diz que é pra eu ir embora/E outra diz que eu quero você pra mim”), seja na correria caótica de No bolso (“Nem toda água é tão turva/ Tem alvorada depois da chuva”) ou mesmo no acerto de contas de Pavilhão de espelhos (“Não, eu não me arrependi de nada/Vida voa e o tempo é outro já”).

 

Mas se engana quem pensa que as novidades de Segunda pele estejam associada à algum tipo de mudança no círculo artístico ligado ao seu trabalho. É Rodrigo Campello, grande parceiro da cantora, que está a frente da direção musical, e as músicas escolhidas pela intérprete foram de compositores que ela grava desde o início da carreira, como Lula Queiroga (Altos e Baixos e Pavilhão de Espelhos), Carlos Rennó (Segunda pele) e Pedro Luís (Lua). Ou seja, o que mudou foi consequência do desejo da própria artista de fazer um som diferente. O resultado desse projeto, que buscou inspiração nos arranjos de Rogério Duprat, poderá ser conferido em Recife, ao vivo, no dia 03 de março.


Roberta Sá continua festiva em 'Segunda pele'
 
Companhia Editora de Pernambuco - CEPE - Rua Coelho Leite, 530 - Santo Amaro - Recife - PE CEP: 50100-140
Fones: (81) 3183.2700 / 0800.0811201