Revista Continente

domingo, 21 de dezembro de 2014

Capa Revista do Mês

#168

Dezembro/2014

HUMOR NA WEB

A comicidade irrestrita, produzida, consumida e distribuída na internet, torna-se o maior vetor para a comunicação da atual geração,além de controverso veículo para a transmissão subliminar de ideias

Artes Visuais

Imprimir
 

Minuciosidade e lisergia na arte dos Imarginais

Qui, 05 de Janeiro de 2012 14:03
Share

 


Ao batermos o olho em uma das obras de Raone Ferreira e Fernando Moraes, a sensação é de atordoamento. O volume de informações em um “simples” quadro é imenso e, entre um Obama deteriorado e freiras que lembram caveiras mexicanas, o tom político é explícito. Com apenas quatro meses de formação, a dupla, que trabalha sob a alcunha de Imarginal, começa a fazer seu ruído na cena do design recifense. Já chegaram também a expor dois quadros no Festival Mundo, na Paraíba, em dezembro.

 

Escolados no hardcore, rap e punk; com influências que vão desde o cinema fantástico de filmes como O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro, até Geoff Darrow, os traços dos rapazes certamente fogem da estética a que o público pernambucano está acostumado, sem xilogravuras ou figuras tradicionais da cultura do Estado. A visão do Recife e do mundo, aqui, é transformada e retransmitida através da ótica marginalizada e suja.

 

A comparação mais fácil que surge é com outra dupla que expôs no Murillo La Greca no início de 2011: os paulistas do Mulheres Barbadas. Porém, mesmo que tragam um grande volume de informações e referências, além de também quase não usarem cores vivas, os Imarginais fogem do lado pop dos colegas e sua obra traz um ruído mais manchado, que lembra os grandes centros.

 

Os rapazes se conheceram na Aeso, onde atualmente estudam Design, e, através de desenhos em conjunto com amigos, observaram que traziam uma bagagem comum, seja pelo detalhismo ou pela preferência da estética preto e branco. A partir daí, todos os intervalos (e até mesmo algumas aulas) começaram a ser voltados para a arte. Atualmente, trabalham em um pequeno apartamento da Rua do Hospício cedido pela Arca, uma iniciativa missionária que trabalha com ações de rua, da qual Fernando faz parte. Segundo eles, a localização do apartamento funciona como uma fonte de inspiração para os trabalhos, graças ao excesso de pessoas, odores, sons e culturas que passam por ali. Raone, inclusive, chega a brincar: “o nome da rua, em si, já é muito sugestivo e encontra encaixe nos nossos quadros”.

 

Enquanto se preparam para montar uma grande exposição com seus trabalhos – o que deve demorar cerca de um ano, pois cada quadro leva, no mínimo, um mês para ser finalizado – Raone e Fernando elaboram uma mostra em conjunto com o Grupo Santa Rosa, uma agência de publicidade, na qual pretendem cobrir a fachada da mesma, além de leiloar obras e produtos menores, entre outras ações.

 

O cuidado com o resultado final em cada quadro é evidente, começa a partir do primeiro esboço, que se transforma em linhas suaves, para depois partir para o definitivo, com a caneta de nanquim ponta fina. Recentemente, arriscam-se com o pontilhismo. A escolha por essa técnica, certamente mais demorada, é explicada por Raone na busca pela textura da peça, que ganha particularidades ao longo do processo construtivo.

 

Com tranquilidade e seguindo a filosofia do “faça você mesmo”, os rapazes trabalham com os produtos que podem comprar, além de focar todas as energias e tempo disponíveis na execução das obras. A mais recente é um quadro que, para Fernando, retrata a rua que hoje os abriga. Nele, estão debruçados há três meses, mas, ao contrário de aparentar cansaço, parecem satisfeitos com o resultado prévio, que apresenta minuciosidade e lisergia. Estas características estão presentes em cada uma das poucas obras que hoje possuem, quadros capazes de prender quem os vê por horas, contemplando cada traço, quase como quem brinca com um caleidoscópio.

 

Confira alguns trabalhos dos Imarginais:

 


Share
comments
 
Companhia Editora de Pernambuco - CEPE - Rua Coelho Leite, 530 - Santo Amaro - Recife - PE CEP: 50100-140
Fones: (81) 3183.2700 / 0800.0811201