|
Exposição ao ar livre no Engenho Massangana |
|
|
|
Escrito por Raquel Monteath
|
Da Assessoria de Imprensa da Fundaj
O Engenho Massangana, em nova fase de reestruturação, lança, no dia 27 de abril às 10h, sua primeira exposição ao ar livre Nabuco e Massangana: Memória & Futuro, formada por painéis fotográficos que irão abordar a temática de Joaquim Nabuco com o Engenho Massangana e plantas de arquitetura que mostrarão o projeto do novo Centro de Interpretação que será lançado no local, no dia 20 de novembro.
A partir da abertura da exposição, a Casa Grande e a Capela de São Mateus, totalmente restauradas, ficarão abertas ao público com horário de visitação de segunda à sexta das 9h às 16h30.
Data de abertura: 27 de abril de 2010, às 10h Local: Engenho Massangana, PE 60 Km 10 – Cabo de Sto. Agostinho, PE |
|
Nabuco e os movimentos populares |
|
|
|
Escrito por Marcelo Mário de Melo
|
Originário da elite, Joaquim Nabuco atuou basicamente no parlamento, na imprensa e nas instâncias legais, estendendo-se às conferências em teatros e a manifestações de rua. Não fazia parte da articulações voltadas para a mobilização direta dos segmentos que compunham a plebe do seu tempo, mas não as condenava e se relacionava bem com as suas lideranças. Tinha fortes ligações com José Mariano, integrante do Clube do Cupim, entidade que recolhia fundos para o apoio a escravos fugitivos. Também era próximo de José do patrocínio, que além do ativismo jornalístico, atuava em manifestações de rua, muitas vezes, marcadas por confrontos com forças policiais..
Na “carta ao correligionário”, de 18 de outubro de 1887, Nabuco afirma que “não há abolicionismo político ou parlamentar sem que exista no país esse outro abolicionismo de ação popular, intransigente, e em imediato, que empurra os partidos e os governos para diante e conquista para o escravo, e para isso todos os meios que forem morais são legítimos, a liberdade a que ele tem o mesmo direito que o senhor. O abolicionismo político e parlamentar não é senão o freio da locomotiva, o vapor que a move é o abolicionismo popular, e nós estamos precisando neste momento de encher a caldeira e de aumentar a pressão porque o trem está parado...” Em O Abolicionismo, Nabuco dá o devido crédito à vertente popular na luta contra a escravatura
Esse posicionamento de Nabuco decorria, em parte, da sua apreciação negativa dos partidos políticos, que considerava subordinados ao poder econômico. E também se fundava na sua intervenção política programática, em que a análise dos problemas e as propostas apresentadas partiam de uma visão nacional.“... Estou mais identificado com o abolicionismo do que com qualquer partido que me parecem todos igualmente plutocratas. Eu hoje luto por idéias e não por partidos. Nas idéias sou intransigente; quanto aos partidos, não me presto mais a galvanizá-los. Estão mortos e bem mortos. Para fazer coisa nova é preciso novos instrumentos. Os que nos vieram da escravidão são cabos de chicote e pedaços de tronco que não servem para a reorganização do país”. Nabuco defendia partidos com estofo nacional. “O nexo entretanto do partido não pode ser outro senão a federação...”, afirmou.
Ele entrava em aguda contradição com a plutocracia do seu tempo e as estruturas político-partidárias que a representavam, também, pelo fato de não resumir a luta abolicionista ao efeito jurídico da abolição, mas propor um passo à frente, com a inclusão social dos libertos, através do acesso à terra, ao trabalho livre e à educação. Contradição que se acentuava com a sua crítica ao capital financeiro. “Eu oponho-me aos bancos porque quero a pequena propriedade, a dignidade do lavrador, do morador, do liberto – a formação do povo, que está ainda abaixo do nível dos partidos. Não considero o interesse de nenhum partido, mas somente o do povo...”.
Aí se delineia uma divisão recorrente na história do Brasil, no campo dos progressistas, reformadores, liberais e democratas. Há aqueles que se detêm nos limites dos direitos políticos gerais. E os que avançam em propostas de alargamento dos direitos econômicos para a base da pirâmide social, afetando assim o patrimônio da classe dominante. Nabuco figurava nesse segundo time.
É emblemática a libertação dos escravos sem a abordagem da questão agrária. Desde a abolição da escravatura, a burguesia brasileira vem rejeitando todos os projetos de reforma agrária. Derrotou no parlamento os encaminhados pelo PTB e por Josué de Castro. Esmagou. Com o golpe de 1964, o de João Goulart. Manteve intocado o latifúndio na constituição de 1988. Cem anos depois da morte de Nabuco, a questão agrária continua a ser empurrada com a barriga, no conta-gotas dos recursos do INCRA. Temos o bolsa-família. Discutimos a política de cotas na educação. Há uma lei tratando do preconceito racial e atestando que ele existe. Os excluídos são os escravos reciclado$. E a locomotiva política continua à espera do empurrão vitalizador dos movimentos populares.
Marcelo Mário de Melo é jornalista |
|
Programação - Ano Joaquim Nabuco |
|
|
|
Escrito por Gabriela Lobo
|
|
1° Semestre de 2010
Março
Dia 11 16h - Abertura Oficial da Programação do Ano Nacional Joaquim Nabuco, no Auditório Benício Dias, na Fundação Joaquim Nabuco, Av. 17 de Agosto 2187, Casa Forte
Dia 16 15h – Sessão Solene do Seminário de Tropicologia, com palestra do filósofo e humanista pernambucano Nelson Saldanha, acerca do legado de Joaquim Nabuco. Promoção da Fundação Gilberto Freyre e da Academia Pernambucana de Letras e Artes.
Dia 19 19h – Palestra dos membros da Academia Brasileira de Letras, Marco Maciel e Evanildo Bechara, sob o tema As Raízes Francesas e a Contemporaneidade de Joaquim, no Café Cultural. Promoção da Aliança Francesa.
Abril
Dia 29 19h - Inauguração da exposição Joaquim Nabuco: brasileiro, cidadão do mundo, no Instituto Cultural Banco Real, na Av. Rio Branco, n° 23, Bairro do Recife.
Maio
Dia 11 -Palestras no Palácio Maçônico do Grande Oriente Independente de Pernambuco, versando sobre Os100 Anos da Morte de Joaquim Nabuco e O Maçom Joaquim Nabuco, com a participação do escritor Humberto França, da Fundaj, e do Dr. Antônio do Carmo Ferreira.
Dia 13 -Aniversário da Abolição da Escravatura no Brasil; -Lançamento de edital do concurso História Ilustrada, sobre a vida de Joaquim Nabuco, destinado aos estudantes das escolas públicas municipais, estaduais e federais, e da rede privada de ensino, com premiação em dinheiro e equipamentos de informática. -Desencadeamento de ações voltadas para a rede escolar.
Agosto
Dia 17 -Exposição Didática no Museu do Estado de Pernambuco sobre Joaquim Nabuco e a sua visão do Recife
Dia 19 -Aniversário de Nascimento de Joaquim Nabuco -Seminário na Fundação Joaquim Nabuco. -Entrega da Medalha Joaquim Nabuco na Assembléia Legislativa de Pernambuco |
|
Pioneirismo do Diario |
|
|
|
Escrito por Vandeck Santiago
|
|
Matéria publicada no Diario de Pernambuco - Caderno Viver - em 17/01/2010
Joaquim Nabuco é um nome famoso na história, mas pouco conhecido. Sobre ele há muitos trabalhos acadêmicos, abordando temas específicos de sua obra, porém são raros os livros que traçam sua biografia. Duas biografias dele estão esgotadas: uma de 1952, de autoria de Luiz Viana Filho, e a segunda de 1979, de sua filha, Carolina Nabuco, ambas com o mesmo título, A vida de Joaquim Nabuco.
Uma terceira foi lançada em 2007, na coleção Perfis brasileiros da editora Companhia das Letras (SP). Chama-se Joaquim Nabuco e é de autoria de Ângela Alonso. Em que pese a boa pesquisa, e o fato de ter disposto de material recente, a autora faz uma abordagem equivocada do seu biografado. Vê Nabuco sempre agindo motivado por interesses outros que não o da causa em si, como marionete das circunstâncias em que viveu.
No campo do jornalismo o Diario de Pernambuco lançou em 13 de maio de 2005 um caderno especial de 16 páginas contando a vida dele, a partir do seu aspecto mais radical. Intitulado Joaquim Nabuco - Um radical do Império, o caderno traz matérias abordando assuntos como o relacionamento amoroso dele com Eufrásia Teixeira Leite (O abolicionista radical, a herdeira rica e uma triste história de amor), sua atuação política (Político, não; reformador social), sua escalada rumo ao radicalismo abolicionista (De como Quincas, o Belo, tornou-se Nabuco, o Petroleiro), a defesa que fez do escravo que matara o senhor (O escravo que virou tigre), entre outras.
Acompanham as matérias entrevistas com estudiosos, como Humberto França (Mais Nabuco, menos Nassau), Marco Aurélio Nogueira (Nosso liberalismo jamais pensou a questão social) e Evaldo Cabral de Melo (Obra de Nabuco mantém gritante atualidade). O caderno foi finalista naquele ano do Prêmio Embratel de Reportagem Cultural (nacional) e do Prêmio Cristina Tavares (estadual).
Principais obras
A escravidão: Escrito em 1869, só foi publicado em 1988, pela Fundação Joaquim Nabuco. Mostra Nabuco no alvorecer de sua escalada no engajamento da luta contra a escravidão
O abolicionismo (1888): Sua obra mais radical, em que passa a escravidão a limpo
Campanha abolicionista no Recife: Reprodução dos discursos dele na sua campanha mais notável, a de 1884
Um estadista do Império (1897): Um clássico da historiografia brasileira. Biografia do pai dele, Nabuco de Araújo, e uma perfeita reconstituição da vida política do Brasil no Segundo Império
Minha formação (1900): Autobiografia intelectual. O destaque é o capítulo "Massangana", engenho em que viveu até os oito anos Diários: Obra lançada em 2005, em dois volumes: são os diários que ele escreveu até a morte, em 1910 |
|
Sensível aos dramas nacionais |
|
|
|
Escrito por Vandeck Santiago
|
|
Matéria publicada no Diario de Pernambuco – Caderno Viver - 17/01/2010
O mais importante a compreender em Joaquim Nabuco é que ele não foi um só, foi vários. O "Nabuco abolicionista" é um deles, porém não o único. Ele teve uma fase de quase republicano (na juventude), uma fase anti-republicana (após a Proclamação da República), uma fase de assimilação da República e uma fase do Pan-americanismo, quando se aproximou dos interesses dos EUA. "Mas os diferentes Nabucos não conviveram caoticamente, ao mesmo tempo e misturando-se um com o outro", analisa o cientista político Marco Aurélio Nogueira (SP), autor de As desventuras do liberalismo - Joaquim Nabuco, a Monarquia e a República (Paz e Terra, 1984). "Em cada uma dessas fases da vida dele temos uma agenda temática específica".
É por essa diversidade que Nabuco encontra admiradores entre conservadores e esquerdistas - para cada um deles há um Nabuco que lhes interessa. Não há como negar, porém, que o seu período abolicionista foi o mais apaixonante e generoso. É quando ele se descola dos interesses de sua classe e abraça a causado setor mais excluído da população do seu tempo: os escravos. Faz isso em duas frentes: na ação propriamente dita e no pensamento. É ele quem diz, por exemplo, que "os negros nos deram um povo" - frase que para a época soava como uma provocação insuportável. Em O abolicionismo ele pioneiramente vê as raízes do Brasil como uma nação mestiça e aponta a escravidão como uma característica do país, a permanecer por muito tempo.
O fim da Monarquia e a chegada da República põe em cena um novo Nabuco: recluso, afastado da vida pública, carola (ele que na juventude tivera lampejos anticlericais), voltado para a redação dos seus livros. Casara-se (em 1889) com Evelina Torres Ribeiro, depois de 13 anos de juras de amor e repetidos rompimentos com Eufrásia Teixeira Leite, linda herdeira de produtores de café em Vassouras (RJ). Estava no auge da carreira, com 40 anos, e teria sido fácil manter-se no topo se --- como vários dos seus colegas - houvesse aderido à República. Fiel à monarquia, porém, ele preferiu sair de cena. Só retornaria à vida pública uma década depois, aceitando convite do presidente Campos Sales. Seu canto do cisne foi a defesa do Pan-americanismo, empreendida como embaixador do Brasil nos EUA, quando se tornou um dos diplomatas mais próximos do presidente americano, Theodore Roosevelt, e do secretário de Estado, Elihu Root.
O Pan-Americanismo era uma tese originária do presidente americano Thomas Monroe, em 1823, simplificada na frase "A América para os americanos". Entre outras coisas, significava o impedimento de qualquer intervenção dos países europeus no continente americano. Nabuco estava escaldado pela causa perdida da Guiana, quando prevalecera os interesses da Inglaterra sobre o Brasil. A ação em prol do Pan-americanismo é um dos temas da trajetória dele ainda carente de novos estudos.
Nabuco teve uma vida agitada, mas relativamente curta, mesmo para os padrões de sua época. Morreu aos 60 anos. Após o fim de sua fase abolicionista, nunca mais escreveu frases como "a Pátria, como a mãe, quando não existe para os filhos mais infelizes, não existe para os mais dignos". O tom de indignação cedeu lugar a ponderadas reflexões, como a que se vê na sua última obra, Um estadista do Império: "A fatalidade das revoluções é que sem os exaltados não é possível fazê-las, e com eles é impossível governar. Cada revolução subentende uma luta posterior e aliança de um dos aliados, quase sempre os exaltados, com os vencidos". Mas um fato ligador de todas as fases de Nabuco, afirma Marco Aurélio, é que ele "nunca deixou de pensar o país e sempre foi muito sensível aos dramas nacionais".
|
|