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De repente uma entidade está perto de você. Não se assuste, afinal, nem eu, nem você podemos ver o que só o olhar apurado e simétrico de um ciclope pode enxergar. Ciclotron Irajá é um deles e resolveu revelar o que enxerga na natureza a partir do seu trabalho fotográfico Afrociberdelia Simétrica, em cartaz até 8 de julho, na Galeria Tereza Costa Rêgo do Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Olinda.

 

Formado em psicologia, foram as leituras sobre o LSD que abriram as janelas da abstração para o trabalho de Irajá D'Almeida Lins Neto, unindo arte e ciência para desvelar o que se esconde na natureza urbana esquecida diante do corre-corre cotidiano. A partir de uma simples câmera Cyber-shot e a duplicação de imagens simétricas no Corel Draw, ele desvela o que ninguém consegue ver. Ciclotron Irajá mostrou à Continente as imagens que viu e contou como foi o processo de criação do trabalho que desenvolve desde 1998.

 

CONTINENTE O que é a Afrociberdelia Simétrica?

CICLOTRON IRAJÁ Afrociberdelia quer dizer que a natureza é afrodisíaca, cibernética e psicodélica ao mesmo tempo. Simétrica quer dizer da técnica matemática chamada “simetria” que utilizei para capturar a afrociberdelia da natureza. A natureza não é natural, é artificial. Ela se torna natural no momento em que a sentimos como realidade diante dos nossos olhos. Ela emite para nós, habitantes da Terra, uma frequência naturante da sua artificialidade. No âmago disso, a natureza é um holograma e nós, humanos e animais, corpos holográficos inseridos nela. A vida é um jogo de espelhos e não um drama cinematográfico.

 

CONTINENTE Desde quando você trabalha com essa ideia na fotografia?

CICLOTRON IRAJÁ Desde 1998 trabalho com fotografia. Quando comecei a fotografar, eu buscava a abstração que vinha do reflexo dos prédios nas poças d' água. Eu queria captar coisas que não se veem a olho nu. Depois comecei a buscar o reflexo ao fotografar os faróis dos carros e fui pesquisando. Foram mais de 200 imagens em cima dos designs dos faróis. Depois surgiu a ideia de fazer os trabalhos na natureza. Dupliquei as imagens e fiz um espelhamento no Corel Draw, e aí foram surgindo coisas que eu não tinha visto antes. O trabalho com a Afrociberdelia Simétrica começou em 2011.

 

CONTINENTE O que você encontrou na natureza?

CICLOTRON IRAJÁ Inspirado no disco de Chico Science, vi a afrociberdelia na natureza, vi que as plantas são psicodélicas. O que eu buscava se encontrava na natureza e não precisava tomar LSD para ver. E isso fez parte de todo aquele meu processo de criação.

 

CONTINENTE Como foi o processo de criação desse conceito?

CICLOTRON IRAJÁ Eu sou formado em psicologia. Eu utilizei a fotografia para me formar, isso a partir de pesquisas sobre o homem e a imagem. Quando peguei um livro sobre LSD para os trabalhos de psicoterapia aquelas páginas me abriram as portas da percepção que encontrei na fotografia. E a fotografia foi a janela para eu perceber e chegar próximo às sensações do LSD. Minha base de pesquisa foram os trabalhos do filósofo Deleuze e do psicanalista Guatarri. Eles se encontraram no final dos anos 60 e um completou o trabalho do outro. Juntos escreveram o livro O anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia. Eles trouxeram uma nova pesquisa clínica porque criticaram a psicanálise e apresentaram a esquizoanálise.

 

CONTINENTE E por que você utiliza o nome Ciclotron?

CICLOTRO IRAJÁ O nome Ciclotron também faz parte das minhas pesquisas. Vem da obra A Pedagogia dos Monstros: perigos e prazeres na confusão de fronteiras [de José Gil, Ian Hunter e Jeffrey Jerone Cohen. Editora Autêntica], da série Estudos Culturais, que foi traduzido por um professor de Belo Horizonte. A obra fala de hibridismo, tecnologia e técnica e sobre os ciclopes da Odisséia de Ulisses. O que me chamou a atenção é que essas criaturas não estão presas às regras culturais da sociedade. Elas tem um único olho, mas que as liberta dessas regras. E era justamente esse olho que eu estava buscando na abstração e no LSD. Agora, como estamos na era da tecnologia, adaptei meu nome para Ciclotron, que é uma leitura eletrônica dos ciclopes da Odisséia.

 

CONTINENTE Que câmera e lentes você utilizou para esse trabalho?

CICLOTRON IRAJÁ Apenas uma câmera Cyber-shot, com uma lente Carl Zeiss. Essa é uma lente diferenciada para Cyber-shot porque tem uma lente grande angular de 2,7 a 18,8 mm que permite captar distorções na imagem.

 

CONTINENTE Como é o processo de revelação da arte que aparece nas suas fotografais?

CICLOTRON IRAJÁ Faço a fotografia e depois ela vai para o photoshop, onde escolho uma cor que chame a atenção para as formas. Em algumas, inverto a cor para o negativo, o que é também uma forma de abstrair e daí procuro uma cor. Depois levo para o Corel Draw para duplicar e espelhar. Chego a fazer até quatro dobras em algumas, até que a arte seja finalizada.

 

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CONTINENTE E em que momento a arte é finalizada?

CICLOTRON IRAJÁ As imagens são uma surpresa, depois da duplicação elas vão aparecendo e aí vou sentindo quando é a hora de parar. Meu método de pesquisa é a intuição, porque trabalhar com simetria é trabalhar com intuição. A partir daí encontro resultados muito eficazes.

 

CONTINENTE Qual das fotografias foi a mais reveladora?

CICLOTRON IRAJÁ Foi uma em que vi uma entidade. Ela foi registrada no quadro O ano em que faremos contato. Isso foi numa folha de bananeira, eu a fotografei e depois apliquei a simetria na imagem. Daí vi uma forma que parecia um extraterrestre, um espécie de zangão.

 

CONTINENTE Nos seus trabalhos você fala em romper o saudosismo. O que você quer dizer com isso?

CICLOTRON IRAJÁ A gente sempre está em busca de alguma coisa, mas não sabe o que busca. Sabe-se apenas que se busca algo. Quando vi a simetria na natureza eu encontrei a afrociberdelia e acabou a minha busca. Essa busca remete a um saudosismo porque geralmente não se consegue achar, mas eu achei e é como se tivesse rompido com essa busca.

 

Serviço:
Exposição Afrociberdelia Simétrica - Fotografias de Ciclotron Irajá
Quando:
de 24 de maio a 8 de julho. De terça à sexta das 9h às 13h e das 14h às 17h. Sábados e domingos das 14h às 17h
Ingresso: R$ 5,00 (inteira) e R$ 2,50 (meia)
Onde: Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC) ( Rua 13 de Maio, Olinda)
Informações: 3184.3153

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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