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Curtas

Coquetel Molotov.EXE

Adaptando-se ao cenário de pandemia, festival realiza edição virtual como forma de experimentar alternativas tanto ao público e aos artistas quanto ao evento

TEXTO Augusto Tenório

03 de Julho de 2020

Boogarins é uma das atrações do Coquetel Molotov.EXE

Boogarins é uma das atrações do Coquetel Molotov.EXE

Imagem Rodrigo Zan/Divulgação

A energia sentida nas últimas edições do Coquetel Molotov, festival pernambucano que completa 16 anos em 2020, parte agora para navegar em novos mares. Neste oceano de incertezas trazidas pela pandemia da Covid-19, a luz deste bastião de novos e consagrados artistas posiciona-se como um farol aos olhos e ouvidos do seu público, agora confinado. A partir da experimentação de um novo formato, eis que chega o CoquetelMolotov.exe, edição digital do evento que está no ar desde o dia 1º e segue até 11 de julho (dia dos shows). Mais uma vez, a revista Continente é parceira da iniciativa, desta vez contribuindo com a curadoria da programação de salas onde artistas convidados farão inserções performáticas de surpresa. 

Como indica o ".exe" escolhido como "extensão" do título do festival, o formato conta com a interatividade e o controle do usuário, como são os arquivos executáveis deste mundo virtual. Caso fosse colocar seu público apenas como consumidor, talvez seria mais adequado usar o ".mp3". Dessa forma, além da programação musical, a organização do Molotov busca formas de colocar o público para interagir com a produção e, claro, entre si. Para isso, agregam-se à programação performances, conversações, workshops, masterclasses e "cápsulas de bem-estar".

"A pandemia nos trouxe um novo contexto de vida e possibilidades. Estávamos cômodos no que era o nosso mundo, as nossas relações, e tudo precisou ser ressignificado. É nesse processo que entendo a importância do Molotov, dando esse passo adiante, em direção à reinvenção. E eu sigo esse mesmo ritmo, me recrio e apresento um show novo, com toda a densidade desse momento. É tempo de sermos criativos, e tenho certeza absoluta que isso não vai faltar", comenta à Continente Romero Ferro, um dos nomes que compõem a programação musical do "festival.exe".

Como o músico pernambucano, apresentam-se nomes como: Boogarins (GO), Luna Vitrolira (PE), Giovani Cidreira (BA), Tássia Reis (SP) e  MC Tha (SP), Badsista (SP) e Noporn (SP). Como mencionamos, todos os shows são no dia 11, com transmissão através da plataforma Zoom. Foi a forma que o festival encontrou para melhor acomodar seu público e, ainda, promover a oportunidade de interação a distância entre os usuários. Os ansiosos por música podem conferir, já neste sábado (4/7), uma festa surpresa com Djs convidados.

Confira a programação completa

"Assim que foi anunciado o fechamento de tudo, nos envolvemos com a criação do festival FicoEmCasaBr e passamos três semanas intensas realizando lives com diversos artistas de todo Brasil. Quando terminou, ficamos semanas pesquisando as lives que estavam rolando e conhecendo novas plataformas para entender o que faria sentido para o Coquetel Molotov armar. Assim criamos o Call Center, que são conversas com discotecagens – o que gerou encontros incríveis. E entendemos que o Zoom é a plataforma que mais faz sentido e dialoga com o público. Podemos ver o público, entrar um pouco nas suas casas e interagir, a plataforma cria mais intimidade e permite realizar umas lives mais interativas", comenta Ana Garcia, idealizadora do festival. 

Call Center ao qual se refere Ana é um projeto iniciado ainda em junho, cujo objetivo é realizar um encontro online por semana no qual convidados conversam sobre seus trabalhos e ainda interagem com o público em debate e fluxo crítico. Durante o Coquetel Molotov.EXE, acontecem dois encontros em formato de masterclasses especiais, comandados pelas cantoras Letrux e Linn da Quebrada. A primeira foi no no dia 1º e a segunda está prevista para o dia 8 de julho, às 20h. As conversas também são acessadas pela plataforma Zoom, e o público pode se inscrever via Sympla Streaming. Já as cápsulas são momentos de bem-estar promovidos no meio da programação. São aulas rápidas de petiscos que casam com cerveja, promovidas pelo chef Lucas Muniz, e de drinks com Luana Correia, do Mamas Bar.

Na primeira semana de julho, a programação do festival é tomada pelos workshops de música, dança, maquiagem e ativismo. No dia 3, às 20h, o coletivo Afrofunk Rio realiza oficina na qual coloca as discussões sobre sexualidade, hipersexualização, machismo, racismo, independência individual e padrões de beleza sob a ótica do funk.

"Acho muito importante realizar o festival neste momento, para gerar emprego tanto para artistas como equipe, além de ser um respiro e alívio para todos que estão em quarentena há tanto tempo. Poder pensar em outra coisa é excelente para a saúde mental. Todo mundo vem falando isso pra mim – como está sendo bom trabalhar no festival agora. Dói, claro, ter que falar que o festival físico só vai acontecer em 2021, mas é fora do nosso controle e a nossa energia está voltada para esta nova edição e já pensando na próxima", anuncia Ana Garcia.

A programação que acontece pelo Zoom, através da plataforma Sympla Streaming, pode ser conferida com ingressos em valor simbólico de R$ 5. O passe dá acesso às apresentações do sábado, 11 de julho, quando concentram lives em salas simultâneas que somam mais de 12h de música, a partir das 17h. O valor arrecadado com as entradas será destinado à Ecovida Cooperativa Palha de Arroz, que fica no Bairro do Arruda (Recife/PE). Trata-se de uma cooperativa formada apenas por mulheres catadoras de materiais recicláveis.

A parceria com a Continente traz nessa edição a bailarina, performer e palhaça Silvia Góes, o poeta e editor Fred Caju e o cantor e compositor Otto

Para acessar a programação, entre aqui.


Silvia Góes como a palhaça Sema Roza Madalena.
Foto: Divulgação

 

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