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Curtas

Ópera no Recife

Livro resgata produção operística na capital pernambucana

TEXTO Carlos Eduardo Amaral

02 de Maio de 2018

Ilustração para a capa do livro 'Ópera no Recife'

Ilustração para a capa do livro 'Ópera no Recife'

Imagem Reprodução

[conteúdo na íntegra (degustação) | ed. 209 | maio 2018]

Antes de
Ópera no Recife – Vozes, bastidores, espectadores, havia um único estudo histórico com enfoque na produção operística pernambucana (leia-se recifense, dado que os únicos espaços adequados para montagens do gênero foram construídos na capital): Música e ópera no Santa Isabel, do professor José Amaro dos Santos Silva. Agora, com o livro escrito pelos historiadores Karuna Sindhu de Paula e Felipe Azevedo de Souza e pelo compositor Sérgio Deslandes, o universo acadêmico e editorial tem, finalmente, uma pesquisa que abrange todos os palcos, épocas, formatos, enredos e agentes daquele referido corpus.

O projeto original, aprovado pelo Funcultura 2014/2015 (na primeira edição em que se contemplou a linha de ação de pesquisa cultural em ópera), previa que os resultados alcançados fossem transmitidos em um ciclo de palestras, sem contrapartida de disponibilização dos dados levantados. Para sorte dos estudiosos e interessados, os autores tiveram o pensamento altruístico de compartilhar esse conhecimento, de interesse público e cultural incontestável, e bancaram uma tiragem de 100 livros, esgotada instantaneamente na ocasião do lançamento, no último dia 25 de março.

Ópera no Recife – cujos capítulos são caprichosamente dispostos como um libreto operístico, incluindo até os três tradicionais sinais de chamada para a plateia se acomodar – aparece na mesma temporada em que o único drama lírico escrito por um pernambucano volta a ser executado no Recife: Leonor, de Euclides Fonseca (1854-1929), apresentada em formato de concerto nos dias 26 de abril e 6 de maio.

A partir do abrangente conteúdo da publicação, uma vasta sugestão de temas se abre para outros pesquisadores e produtores, doravante: a atuação das companhias de operetas judaicas, cujas partituras ainda aguardam por serem localizadas; as operetas e revistas musicadas por Valdemar de Oliveira, com letras de seu parceiro artístico Samuel Campelo; as históricas passagens de Carlos Gomes e Villa-Lobos pelo Recife. Mérito também para a abordagem cuidadosa das montagens empreendidas neste século, como as iniciadas pela Companhia de Ópera do Recife.

A mais significativa constatação da pesquisa, no entanto, lamentavelmente não surpreende e continua sem surtir efeito nos agentes envolvidos: “De forma geral, ainda hoje, aponta-se como desafio ao crescimento da cena de música erudita e operística no Recife dois elementos fundamentais, sejam estes: falta de financiamento e segregação em nichos, grupos e instituições que não se abrem ao diálogo artístico entre seus profissionais, acarretando com isso avanços limitados a essas áreas”.

Os organizadores do livro comunicam que uma nova tiragem está em preparação e será anunciada na respectiva página do Facebook. Ficamos na torcida para que, ao final dessa ou de todas as reimpressões, haja uma revisão textual definitiva e que o PDF seja disponibilizado no site oficial: http://operarecife.art.br/. Um marco bibliográfico dessa magnitude será celebrado por cada leitor que o consultar.

CARLOS EDUARDO AMARAL é jornalista, crítico musical, pesquisador e mestre em Comunicação (UFPE). Também pela Cepe publicou Clóvis Pereira - no reino da pedra verde, sobre o também maestro pernambucano. Organizou o livro Coletânea de crítica musical - alunos da UFPE (independente) e colaborou com o livro O ofício do compositor (Editora Perspectiva).

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EXTRA:
Leia, do nosso arquivo, especial de capa da edição 113, de fevereiro de 2015

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