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Curtas

Títulos da Cepe Editora são finalistas do Troféu HQ Mix

Companhia Editora de Pernambuco tem dois títulos indicados ao mais importante prêmio dos quadrinhos no Brasil

TEXTO Augusto Tenório

30 de Setembro de 2020

Lado a lado, respectivamente, página das HQs 'O obscuro fichário dos artistas mundanos' e 'Polinização'

Lado a lado, respectivamente, página das HQs 'O obscuro fichário dos artistas mundanos' e 'Polinização'

Montagem Reprodução

Dois títulos publicados pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) são finalistas da 32ª edição do Troféu HQ Mix, considerada a mais importante premiação de quadrinhos do Brasil. O obscuro fichário dos artistas mundanos, assinado por Clarice Hoffmann e Abel Alencar com desenhos de Greg, concorre em duas categorias. Já Polinização, de Julio Cavani com ilustração de Cavani Rosas, concorre em uma categoria. A premiação recebeu 1.162 itens inscritos.

O resultado será divulgado no dia 12 de dezembro, em cerimônia virtual, transmitida nas redes sociais do SESC, que é apoiador da premiação. O obscuro fichário dos artistas mundanos concorre aos títulos de Melhor Edição Especial Nacional e, com a indicação do desenhista Greg, Melhor Novo Talento. Polinização concorre com a indicação de Cavani Rosas a Melhor Desenhista Nacional. O reconhecimento põe em evidência a qualidade dos artistas e das publicações.

Obscuro fichário dos artistas mundanos é inspirada em projeto de pesquisa homônimo, realizado entre 2014 e 2017. Nela, transformam-se em narrativas os dados de mais de 400 pessoas, recolhidos pelo Departamento de Ordem e Política Social (Dops) em Pernambuco, entre as décadas de 1930 e 1950. As informações revelam que o órgão enxergava atividade criminosa nessas centenas de pessoas que "exerciam alguma atividade artística". Trata-se de uma obra baseada em histórias reais, vividas durante uma das nossas experiências autoritárias e revela a perseguição a artistas ou pessoas que se colocavam contra o então governo. No livro, contam-se historias das artimanhas dessa classe fichada para escapar da vigilância e da repressão da ditadura Vargas.

Polinização usa a ficção para tratar de discussões atuais. A história se passa em Deep River, uma espécie de país fictício isolado de qualquer outra civilização em um planeta que se assemelha à Terra. Ele é um grande aglomerado urbano localizado às margens do Rio Tombo, uma imensa faixa de água que toma o horizonte. Do outro lado do rio, não mora ninguém, pois lá existe um enorme deserto. Mas, nas águas, existem ilhas nas quais é feito o cultivo clandestino de uma flor proibida. Trata-se de uma planta que produz um pólen bastante consumido como droga. Apesar de não ser um entorpecente pesado e não fazer grande mal à saúde, seu tráfico provoca males como mortes e criminalidade. No contexto de proibição, preconceito e discussões sobre legalização, o casal formado pelo bicho-preguiça Zero e a ursinha CJ tem sua rotina de polinização tranquila interrompida por acontecimentos inesperados.

A Cepe Editora, também responsável pela publicação da Revista Continente e do Suplemento Pernambuco, vem se destacando em premiações nacionais. Já concorreu, por exemplo, ao Prêmio Jabuti (em 2019, 4 títulos publicados pela editora foram finalistas), ao Prêmio da Biblioteca Nacional e Prêmio São Paulo de Literatura.

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