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Entrevista

“Beijei a boca do pessimismo e disse: 'Eu sou seu'”

O músico, mecânico e designer de objetos Angelo de Souza – ou Graxa – expõe o processo do seu disco 'E os camarões boiavam sob a superfície da sopa' e como vive um artista independente

TEXTO E FOTOS DÉBORA NASCIMENTO

09 de Dezembro de 2019

O músico Graxa em sua residência

O músico Graxa em sua residência

Foto Débora Nascimento

[conteúdo exclusivo Continente Online]

Em uma tarde de novembro, a equipe da Continente foi ao Jiquiá para gravar um vídeo com Graxa. Ao saber, por celular, da nossa chegada, o cantor e compositor pernambucano, que estava na oficina onde trabalha perto de sua casa, veio direto ao nosso encontro em seu carro. Por conta desse trabalho como mecânico, Angelo de Souza recebeu dos amigos o apelido de Graxa, que ele adotou como artístico desde sua estreia em disco – Molho, 2013. No bairro do Recife mais conhecido por aportar, pela primeira vez no Brasil, o Graf Zeppelin, no dia 22 de maio de 1930, o artista realiza, além do conserto de carros, suas mais diversas atividades: crônicas, móveis, desenhos, objetos de decoração, músicas. Estas estão distribuídas nos seis álbuns que lançou de 2013 para cá.

O mais recente deles, E os camarões boiavam sob a superfície da sopa, não é apenas um dos discos brasileiros contemporâneos que criticam a situação política do país; além disso, capta o sentimento de desesperança de grande parte da população brasileira na luta pela sobrevivência (“pra quem é preto, pra quem é pobre”), como nas faixas 3.000 kg de bolacha, Do U Say? e a bela e sombria Hora da janta, que abre o álbum de maneira tocante.

Dias antes da gravação do vídeo, Graxa concedeu esta entrevista ao site, na qual conhecemos – um pouco mais – o espírito e o pensamento de um artista independente em todos os sentidos. O registro foi interrompido por uma vizinha, que gritava no portão de sua casa, a propósito, construído por ele: “Angelo! Angelo! O bojão de gás vai explodir!”. Graxa levantou a camiseta vermelha, com a qual aparece no vídeo, deixou apenas os olhos à vista e correu para ajudar a senhora.

Naquele dia no qual consertou carros, resolveu problemas burocráticos ainda referentes à morte de seu pai (antigo dono da oficina), salvou sua vizinha e nos recebeu para falar, com bom humor, de sua desesperança e outras coisas mais. Graxa ainda ia fazer o show de lançamento de seu novo disco no Iraq, na Rua do Sossego. O ruock (como ele costuma falar e escrever) não é para os fracos.

CONTINENTE Você é muito prolífico musicalmente. Como surgem as tuas músicas? Como é o teu processo de composição? E como é a presença da música na tua rotina?
GRAXA Eu não quero lhe responder essa primeira pergunta cheio de góga, Débora, dizendo que minha música surge do “nada”. Acho que é algo de subconsciente mesmo... Saca? Eu quero fazer um modelo de formato de música, não necessariamente ela será feita no instante em que pego o meu violão e tento compor, mas creio que a semente da ideia já está plantada, ou ela se recicla de um momento anterior, assim, é dessa forma. Uma coisa eu tenho clara sobre minhas composições: é que a relação informação-criação é totalmente interligada. E essa fonte de informação é vasta, desde o âmbito presencial, como as ruas – a qual eu tenho consumido pouco ultimamente por “n” motivos – ou como a leitura. Eu não sou muito de ler artigos opinativos. Leitura, pra mim, é algo que eu consigo informações através de escritos passados em cima da ideia de “eterno retorno”, o museu das grandes novidades. E aí é isso: creio que meu processo de composição sejam formações de parágrafos musicais formados em partículas e sessões atemporais, e eu sou o filtro disso. Essa é a grande diferenciação por meio de algo simples em sua complexidade. Ultimamente, eu meio que não compus mais nada – ou se compus, não coloquei mola pra desenvolver. Tô meio que travado, devido às coisas que me aconteceram recentemente, mas existe uma coisa que eu peguei a manha, não sei os outros compositores, que é não se afobar pra compor – mesmo eu sendo considerado prolífico, eu deixo as ideias se concretizarem nos momentos dela. Quem sabe eu passe um tempo maior agora para compor um disco novo e ele seja muito mais maduro e completo que os outros. Eu penso que isso possa acontecer. A presença da música na minha vida é como na música d'Os Mulheres Negras: música serve pra isso.

CONTINENTE A produção desse disco me parece mais elaborada do que a dos discos anteriores. É isso mesmo? Se sim, explica como foi essa decisão de investir mais na produção desse disco. Quais são as implicações de uma melhor produção?
GRAXA Na verdade, um disco que teve uma produção ainda mais elaborada foi o meu segundo disco, né? Com Aquele disco massa, eu tinha que sair de casa pra gravar na casa de Rama, em cubos de guitarra, para que tivéssemos timbres orgânicos. As baterias, eu tive que ir lá em Engenho Velho, no estúdio do meu querido amigo e inspirador Junior “Johann” Viana. Eu tive que correr atrás de parcerias para a composição do disco. Dessa maneira, eu creio que o (Aquele) disco massa tenha tido uma produção mais ativa e intensa. No Camarões (Cmrs), aconteceu o seguinte: pra encurtar a história, o disco anterior – Purple –, eu tentei fazer um disco “ruim” no sentido de extrapolar todos os meus níveis de desleixo. Grandes composições, mas feitas com descaso. Um disco que começa com uma música de 30 minutos aproximadamente e, assim como o Molho, o menos orgânico possível. Tem parceiras ótimas também em Purple, como Juliano Holanda, Zé Manoel, Sandro Garcia, Lulina, Yuri Bruscky, Gildson Dão Pereira, André Psiconáutico, e mixagem e masterização feita pelo meu querido D Mingus. Mas é um disco que eu fiz com a ideia que é a seguinte: “Ei, você percebeu que quando você se mata todo pra lançar um disco de 'qualidade' – no sentido de recursos tecnológicos –, ou quando você é desleixado com isso, o resultado é o mesmo, já que você está preso dentro de uma cadeia artística de modelos e estereótipos que não têm saída?”. Sendo que essa ideia não agradou o batera que toca comigo, o meu querido Gilvandro Gil – na verdade, ele sempre vinha me atentando ao meu desleixo ao construir um disco. Aí eu disse: “Gil, você vai ser o meu produtor”. E aí funcionou como nos grandes tempos. Eu gravei todas as guias pra ele no bpm. Ele montou toda a estrutura na garagem do antigo espaço cultural Jambo Azul, e gravou as bateras, que são excepcionais. Em seguida, fui na casa dele e tentei fazer a mesma coisa que fiz no Disco massa, mas não rolou clima pra mim. Aquele bicho olhando pra minha cara, dando rec e stop e coisas do tipo, não rolou. Aí eu gravei todo o resto na minha casa, com plugins do ruock e tal. O disco inicialmente seria só na viola, devido à falta de pico para se tocar elétrico por aqui no Recife – acho que na cidade de qualquer pessoa que estiver lendo isto. Mas não tinha como eu tocar algumas músicas no violão, e aí as guitarras foram entrando. O Camarões é um disco que procurei fazer dele o mais direto possível: guitarra, baixo e bateria, sem firula. Um soco no bucho pegando nos ossos do tórax, um trator dando cavalo de pau no canteiro de obras, tudo isso misturado com a ideia de composições com menos acordes possível, já que meus amigos, por causa de trabalho e sabe-se o que mais, não dispõem de muito tempo para estudarem as minhas músicas. É um disco que também foi feito por outro Angelo, outro Graxa, não é mais aquele rapaz do Molho. Mesmo eu não sendo tão assíduo aos estudos de música, estou tocando com mais propriedade que antes, cantando e desenvolvendo melhor. Eu também amo outras formas de arte, como a literatura, o cinema e agora voltei a desenhar e também tenho minhas obrigações de pai e trabalhistas – as trabalhistas sugam muito meu físico e mental porque eu tenho que ser multihomem, como muita gente é, mas não deveria ser. Pra finalizar, eu tenho que informar que a parte final de mixagem e masterização foi feita por Adriano Leão, do estúdio Kaos.



CONTINENTE Parece que E os camarões é mais permeado por questões políticas do que os anteriores. Ele traz também uma mistura de ironia e desesperança. Você concorda? Quais foram as inspirações para as composições desse disco?
GRAXA Eu concordo. Eu segurei o rostinho do pessimismo, beijei-lhe a boca e disse: “Eu sou seu”. As inspirações foram diversas. Como eu lhe falei antes, a forma que eu componho, o mesmo ideal se aplica ao meu sexto disco. Se eu puder dizer diretamente qual foi a inspiração desse disco, eu diria: uma visão pessimista do Brasil para os próximos 10 anos, no mínimo, torcendo para que esteja enganado. Cheguei a um nível de pessimismo que o meu auge é ter pensamentos positivos. Mas posso fazer alguns retalhos de inspiração nesse disco, tipo: eu tentei emular Jards Macalé na faixa título remetendo a Moreira da Silva – já que Jards fazia tempo que não lançava um disco e eu meio que queria fazer uma homenagem, mas aí Jards foi lá e fez um discão. A gente não combinou direito; tem também Rilke na última música, influenciado pela primeira carta ao jovem poeta (de Cartas a um jovem poeta); tem T-Rex e Elton John, mesmo faltando o piano, em 3.000 kg de bolacha; tem uma coisa de doo woop em Algumas pessoas são geladas; tem experimental trash em As possibilidades... Poxa, e o mais importante: é um disco super black nordestino.

CONTINENTE Você gosta de se ouvir depois que lança um disco? É do tipo que ouve e pensa que poderia ter feito de outra forma? Ou quando lança é porque já se deu por satisfeito com o resultado?
GRAXA Eu não gosto de me ouvir estando presente de outras pessoas, saca? Tipo, eu fui fazer o programa TVPE no ar e a conversa terminou com: “Você já ouviu Graxa?”. Aí o taxista querendo dar uma de cordial e gentil, ou qualquer outra coisa do tipo, cismou e foi lá e colocou o meu disco pra rolar dentro do carro e eu fiquei aterrado, né? Mas aí eu tive sorte que ele precisou abastecer e todos nós esquecemos de dar continuidade. Sobre a questão de ouvir o que gravo é muito de veneta. Tem vezes que eu coloco toda a minha discografia no aleatório e escuto, e tem vezes que eu acho a pior coisa do mundo já gravada na Terra, e é assim que são os artistas. Mas te confesso que tem coisas que escuto dos outros que, porra!, que me dá uma certa alegria o fato de que não sejam coisas que se gastem de forma tátil, tipo, os nossos dentes, de tão ruim que são.

CONTINENTE Sendo um artista independente, você tem alguma estratégia de lançamento e divulgação quando lança um disco?
GRAXA Não. Não tenho estratégia nenhuma, só a instiga mesmo. Essa parada de estratégia é meio que um lance de promoter. Eu não sou promoter. Eu já percebi que a culpa não é minha se não há veiculação plena de um trabalhador da música de oficina. Quem me fomenta sou eu, mas eu nem chego nem perto da andorinha do provérbio, a que sozinha não faz o verão. E eu também sou introspectivo. Não que isso seja maturidade, mas, sim, que eu procuro mais me conhecer do que me envolver com as outras pessoas. As pessoas mais comunicativas já desenvolveram a consciência de que todos nós somos animais numa selva suja. Eu não. Mas eu não me culpo por isso. Eu culpo os meios de comunicação. Mas aí eu nem quero descer o caldo no que eu acho sobre a imprensa, de certa forma, num geral. Mas vai de branco playboy, mantenimento de emprego e status quo, preguiça e corrupção.

CONTINENTE Você começou a compor esse disco quando? Quanto tempo levou de composição até o lançamento?
GRAXA Eu comecei a compor esse disco quando esse desgraçado virou o presidente do Brasil. O marco inicial foi a música Hora da janta. Eu acho que tinha algumas outras já compostas, mas não afirmo. Minha lembrança é essa: de quando essa miséria foi eleita até o lançamento, mas o conjunto da obra já estava pronto de dois a três meses antes.

CONTINENTE Como começou a tua relação com a música? O que você ouvia quando era criança? Como e quando começou a tocar guitarra? Quais são os gêneros musicais mais ouvidos no Jiquiá?
GRAXA Acho que muita criança tem relação com a música desde pequeno – assim como o desenho –, que é o começo da estrutura da formação do individuo para se comunicar, uns continuam e outros param. Na escola, sempre tinham aquelas canções infantis e aí, em seguida, vem o consumo musical no seio familiar e depois vem o conhecer amigos que também gostam de um determinado tipo de música em detrimento a outro vigente, e aí você saca que um não quer dizer que você deva excluir o outro e aí você vai seguindo e desenvolvendo seu ser para a vivência e a comunicação de forma mais clara. Tipo, eu ainda não gosto de muita coisa musical, mas o artista não é maior que a vertente envolvida no estilo musical. Nenhum cantor de rock vai ser maior que o rock e tudo que ele representou culturalmente e politicamente a um determinado período, assim como tantos outros estilos musicais. O que me preocupa mais são os nichos de imposição de modelos e esteriótipos que alguém, como eu, por exemplo, devo estar submetido para ter minha expressão artística legitimada. Ah, o Jiquiá escuta muita coisa. Em diferentes idades, cada um escuta as músicas de sua época. Sendo que, na borda das inquietações de música “x” e “y”, eu me preocupo mesmo é com a “cena gospel”. Essa, o Brasil está ouvindo de canto a canto.



CONTINENTE Quem são os teus heróis na música?
GRAXA Não sei se bem heróis, quem sabe anti-heróis, mas me inspiram muito pessoas musicais como: Cartola, Sérgio Sampaio, Jorge Mautner, Jards Macalé, Ray Davies, George Harrison, Aretha Franklin, Walter Franco, Ella Fitzgerald, Ginger Baker, Jorge Ben, Marc Bolan, John Entwistle, Kurt Cobain, Daniel Johnston, John Coltrane, Syd Barrett, Bezerra da Silva, Lou Reed e todos aqueles outros e outras que esqueci.

CONTINENTE Pra você, que começou a carreira tocando em bandas, qual a diferença de ser um artista solo e estar num grupo?
GRAXA Idade, época e foco. Agora eu sou o cara que toca minhas músicas. Antes eu era o cara que tocava as músicas dos outros com alguma minha perdida nesse meio.

CONTINENTE Como é a tua relação com a música pernambucana? Você gosta de quais artistas locais?
GRAXA Música pernambucana, você diz, ou música que dá característica de Pernambuco culturalmente falando? Eu gostei dos discos de estreia de Marília Parente e da Madimboo. Tem uma menina que vai lançar disco o quanto antes, que é Isadora Lubambo, que eu boto muita fé no disco dela. Quero que Isaar lance um disco novo dela o quanto antes, mas claro que tudo no tempo dela. Tem uma galera do Sertão daqui – ou é do Agreste – que faz surf music que são os Aquamen que eu também acho legal. Tem a Buffalo Lecter, que faz um instrumental bem pancada e correto. Tem os meus amigos, né? A galera da minha geração – que nasceu nos anos 1980 – que é muito boa, em sua maioria. Ah, tem muita gente que eu curto e admiro, mas eu prefiro indicar pessoas que não me são tão próximas, pra não soar tendencioso, mas enfatizo: “Meus amigos e amigas são um barato”.

CONTINENTE Você faz parte de uma geração de músicos que não têm influência do Manguebeat. Você se sente isolado, sendo um dos poucos que fazem rock numa cidade cheia de artistas contemporâneos que inserem elementos da cultura popular nordestina nas músicas?
GRAXA Eu nunca tive proximidade com os elementos musicais da cultura popular nordestina, saca? Não vou mentir. Ao mesmo tempo que eu nunca vou achar justo e honesto pessoas que vivenciam esses ambientes como se fossem colônia de férias, entende? Pra mim, é fundamental a ascensão e abertura de espaços para um músico como mestre Anderson Miguel, que é uma pessoa que herda e vem daquele universo. Eu não vou “estudar” elementos da cultura nordestina e incrementar no meu trabalho musical pra conseguir mais visibilidade. Muita gente branca rica do estado faz isso, da mesma forma que estão fazendo com o tecnobrega periférico. Eu não incluo esses elementos do tecnobrega na minha música – apesar de ter feito já dois discos com batidas eletrônicas –, porque a maioria das músicas não me agrada a temática e a sonoridade. Mas tem um monte de branquelo rico que faz isso também. Esses exemplos que estou dando é em cima da sua pergunta voltada à ideia de hype e aceitação comercial, minimamente que seja, de consumo mesmo. Já toquei em São Paulo e alguém me disse: “Poxa, você não tem nada de regional”. Como também mandaram um “Vocês que são do Norte tem esse calor humano” – algo do tipo, saca? São elementos que fariam com que meu som fosse legitimado. Aí eu não me sinto isolado, não. A partir do momento em que ao menos uma pessoa se reconheça através de minha música, o que não é o ideal, eu quero que o máximo de pessoas sinta isso, não vai haver isolamento. Somos todos transições de épocas históricas representadas culturalmente, né? Sendo que eu escrevo minha história, meu ponto de vista, do meu jeito, procurando ser o mais sincero possível, desejando sucesso a todos, ou sabedoria.

CONTINENTE Você tocou bastante no Iraq, Em quais outros locais você toca? Sente falta de mais espaços para shows na cidade?
GRAXA Ultimamente, eu não tenho tocado muito porque Recife está com a boca cheia de formiga, há muito tempo, pro pequeno e médio espaço que possa propiciar o artista a, ao menos, pagar algumas parcelas do servidor musical de streaming, ou então ajudar a comprar umas cordas de instrumento e coisas do tipo. Ultimamente, eu tenho tocado o melhor do get down comedy em minhas apresentações que consistem em: tocar minha viola e, no meio de uma música e outra, eu mando um causo urbano para a plateia gargalhar de alegria disfarçando todo o desespero em que, pelo menos eu, estou inserido. Acho que é uma tendência, né? Bastante atual esse formato de apresentação. É muito triste depender da importância de festivais. Mas aí a galera do engajamento artístico diz: “Tem que meter a cara”. Meu querido, minha querida, eu sou um senhor que, em novembro, completou 34 anos de idade. E aí esse “meter a cara” seria menos poético se pequenos e médios espaços tivessem auxilio governamental e tal, porque movimentaria mais a cidade muito mais além do que o profano e sacro em que estamos bipartidos.



DÉBORA NASCIMENTO é repórter especial da Continente, crítica de música e colunista da Continente Online.

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