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Ella Fitzgerald manteve impressionantes seis décadas de carreira ininterrupta. Foto: Herman Leonard/ReproduçãoElla Fitzgerald manteve impressionantes seis décadas de carreira ininterrupta. Foto: Herman Leonard/Reprodução

Neste mês, é lembrado o nascimento da Primeira-Dama da Canção, que ajudou a transformar o gênero em sofisticado produto cultural


O Festival de Jazz de Montreux consolidou-se como evento, em sua terceira edição, quando a programação foi encerrada com a performance dos dois maiores cantores norte-americanos em atividade, Frank Sinatra, no Auditório Stravinski, e Ella Fitzgerald, no Cassino Kursaal. Numa surpreendente coincidência, ambos inseriram em seus repertórios músicas dos Beatles. Ele, Something, Ella, Hey, Jude. Àquela altura, em 1969, o rock já tinha deixado de ser encarado como um gênero menor ou uma moda passageira, e havia conquistado respeito, principalmente depois do lançamento da obra-prima Sgt. Pepper`s (1967). Enquanto Sinatra fez uma versão pomposa da composição de George Harrisson, Ella – acompanhada de Tommy Flanagan (piano), Frank De La Rosa (baixo) e Ed Thigpen (bateria) – realizou uma vigorosa versão jazzística da canção de Paul McCartney e ainda interpretou um cover explosivo de Sunshine of your love, lançada naquele ano pelo power trio britânico Cream. Da metade para o final da interpretação, a cantora explora gritos rascantes, dois meses antes de Janis Joplin estremecer o Festival de Woodstock.

Quando Ella pôs essas duas músicas dentro do festival que ela contribuiu para solidificar como templo do jazz, isso antes de o evento escalar grupos de rock, a artista já contava mais de 30 anos de profissão. A vitoriosa trajetória musical lhe dava segurança para ousar tantas vezes e manter-se afinada com os novos tempos. Era não somente a mais popular e renomada cantora de jazz, mas tinha se tornado a maior diva da música norte-americana, apontada como a Primeira-Dama da Canção. Aquele 1969, em Montreux, só atestava a brilhante primeira metade da sua carreira de inacreditáveis seis décadas – inacreditáveis, quando se leva em consideração que, nos anos 1950, grandes estrelas do jazz, como Charlie Parker (1920-1955) e Billie Holiday (1915-1959), já tinham abandonado a estrada.

O cenário jazzístico, quando Ella começou, possuía algumas raras cantoras… e Billie Holiday. A interpretação de Lady Day, sua mais forte concorrente no gênero, era mais introspectiva e sofrida, exalava um clima noturno e depressivo. Ella, com seu timbre, que muitas vezes se assemelhava ao de uma garota, esbanjava uma outra vibração, mais positiva e alegre, mesmo quando cantava sobre a infelicidade no amor. “A alegria é uma forma de sabedoria: toda alegria é sábia, mas nem toda sabedoria é alegre, e, se uma já é difícil, imagine-se a outra. Alegria e sabedoria se cruzam, imprevistamente, na voz dessa mulher, capaz de fazer qualquer um feliz, ou, pelo menos, mais feliz, se não mais sábio”, disse Arthur Nestrovski, em sua nota sobre Ella Fitzgerald publicada no livro Notas musicais: do barroco ao jazz (2000).

Leia matéria na íntegra na edição 196 da Revista Continente #abril 2017

capa 196
CONTINENTE #196  |  Abril 2017

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