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Publicação da obra "A missão", de Heine Müller, pela n-1 traz um rasgão individualizado na capa. Foto: DivulgaçãoPublicação da obra "A missão", de Heine Müller, pela n-1 traz um rasgão individualizado na capa. Foto: Divulgação

 

Editoras apostam na publicação de obras com projetos gráficos mais elaborados e criativos, focando num público afeiçoado às formas materiais do livro

 

Da cidade de livros tornou donos
estes olhos sem luz, que só concedem
em ler entre as bibliotecas dos sonhos
insensatos parágrafos que cedem
as alvas a seu afã.
Em vão o dia
prodiga-lhes seus livros infinitos,
árduos como os árduos manuscritos
que pereceram em Alexandria.

Poema dos dons
, Jorge Luis Borges

 

A diversidade de suportes de leitura, desde a revolução eletrônica, torna-se cada vez maior. No entanto, percebe-se certa preferência, por parte dos leitores, pelo livro em seu formato analógico. Há, ainda, os que não dispensam a oportunidade de aquirir edições com projetos editoriais mais sofisticados. “Pensar o conteúdo do livro relacionado com o projeto gráfico faz toda a diferença”, afirma Marília Garcia, da Luna Parque. O número de editoras brasileiras que oferecem um apuro minucioso nas diversas etapas dos processos de edição gráfica, e até nas escolhas de seus conteúdos, vem crescendo. Atualmente, esta variedade acaba ampliando o público leitor, estimulando a criação de eventos e de novas alternativas para a distribuição destas obras.

“Há um motivo pelo qual o mercado da música migrou quase que inteiramente para o digital e o de livro não. A experiência de ler um livro é atravessada pela interação com o objeto livro. Uma boa composição como a escolha da tipografia e o tamanho de letra certos tornam essa experiência muito mais prazerosa. Ilustrações e um projeto gráfico pensado de maneira complementar ao texto permitem uma expansão e apreensão melhor do conteúdo. O toque, o cheiro, tudo isso conta”, afirma Júlia Fagá, gerente de comunicação da Ubu Editora.

Com uma equipe formada inteiramente por mulheres – entre elas, a diretora artística Elaine Ramos, responsável pela direção artística da extinta Cosac Naify por 11 anos – e de modo independente, a editora está localizada no Largo do Arouche, em São Paulo. O catálogo da Ubu se volta para textos e criações artísticas que contribuam para o debate contemporâneo, buscando inovar, mas também cuidando para que os projetos gráficos mantenham o diálogo com o recheio. “Para textos densos, por exemplo, o cuidado vai mais no sentido de prover o leitor de facilidade ao manipular os livros, como é o caso da Coleção Argonautas”, explica Fagá. Entre os destaque está a reedição de Os sertões, organizada por Walnice Nogueira Galvão, em comemoração aos 150 anos de Euclides da Cunha, que traz, além do texto integral, ensaios e críticas de autores como a própria organizadora, Antonio Candido, Luiz Costa Lima, Gilberto Freyre e outros. 

No conjunto de editoras que primam por um projeto editorial bastante cuidadoso e vêm investindo no desafio de ampliar sua lista de edições está a Carambaia. Entre os diferentes gêneros já publicados pelo selo – como a prosa, o ensaio, a crônica –, este ano, a equipe pretende agregar o teatro. A proposta do catálogo é misturar obras mais a outras menos conhecidas de autores já consagrados, que ainda não tenham seus principais livros publicados no Brasil, a exemplo da edição de Jaqueta branca, do norte-americano Herman Melville – autor de Moby Dick –, texto que até então era inédito no Brasil.

Outro título de destaque na Carambaia é Salões de Paris, com 21 crônicas escritas pelo autor de Em busca do tempo perdido, Marcel Proust. Em 2016, a editora paulista lançou sua versão de Dom Casmurro, de Machado de Assis, com projeto gráfico assinado pela designer Tereza Betttinardi. Os exemplares, com as mesmas dimensões do original publicado em 1899 pela carioca Livraria Garnier (17,5 x 11,5 cm), são numerados e trazem uma antiga técnica de decoração de livros, em que as imagens são apresentadas nas laterais das páginas quando o livro está fechado. “Por que a pessoa vai comprar um livro de Machado de Assis nosso e não uma edição estudantil ou lê-lo em formato digital de graça? É uma edição cuidadosa, diferente. Esse leitor, provavelmente mais experiente, já leu Machado, mas quer ter uma edição caprichada. Isso demonstra como um mesmo autor, uma mesma obra, pode ter diferentes funções para diferentes públicos. Um mesmo autor pode funcionar em diferentes versões, em diferentes edições, a gente vê isso acontecer muito lá fora”, explica o diretor editorial Fabiano Curi à Continente.

Leia texto na íntegra na edição impressa da Continente #198, edição de junho de 2017.

capa 198
CONTINENTE #198  |  Junho 2017

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