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Edição #173

Maio 15

Nesta edição

Arquitetura Contemporânea

Parece que vivemos uma era de apagamentos. Tantas camadas de tudo – arquivos, informações, opiniões, apropriações, compartilhamentos – diluem a percepção, dispersam atenção e compreensão. Do ponto de vista da arte, dispersam-se também referências e centralidades, pontos de apoio que estavam aí há tempos. Se, por um lado, há uma saudável quebra de hegemonias e hierarquias – pela propalada horizontalidade dos meios –, por outro, ficamos por ali na boia, olhando a imensa superfície cambiante e instável.

Embora não colocado como acima exposto, o sentimento que se depreende dos depoimentos dados por arquitetos à jornalista Luciana Veras para nossa matéria de capa desta edição é o da perda de centralidade da arquitetura no discurso urbano. E esse “apagamento” do trabalho do arquiteto é motivado, sobretudo, pelo embate desigual que ele trava com o mercado imobiliário, que define muito mais as regras do jogo que qualquer profissional do ramo.

“O arquiteto fica preso a um comportamento industrial de produção e vai sendo minado nas suas aspirações plásticas. Fazemos um esforço brutal para inserir o projeto dentro de uma malha urbana e dar um ganho ao sítio onde está localizado e temos, nisso tudo, a dificuldade de fazer poesia, de escrever a poética dentro da arquitetura. Na essência, a arquitetura é arte de uma complexidade brutal”, diz o veterano Carlos Fernando Pontual. De sua parte, afirma Guilherme Wisnik: “Em certo momento histórico, os arquitetos deixaram de ser importantes na construção das cidades brasileiras. Veja o paradoxo: o Brasil é o único país do mundo que construiu uma capital moderna, uma cidade inteira do zero, e naquele momento tinha arquitetura e urbanismo considerados exemplares”.

Mas constatações como essas não significam desistência. Mesmo diante das pressões de mercado e da complexidade de projetar e construir em situações adversas, os arquitetos buscam alternativas, e pensam seu labor dentro de paradigmas contemporâneos, que desbloqueiem limitações e discutam o status quo. Nesse cenário, surgem práticas de diálogo com o ambiente e a sociedade, em projetos assinados tanto por arquitetos grife (que balizam a percepção pública sobre a estética arquitetural de hoje) quanto por escritórios de pequeno porte e profissionais independentes (que levam esses arejamentos para o cotidiano urbano). Foi justamente na busca de respostas para as questões prementes desses profissionais que lhes perguntamos: como se constrói hoje?

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