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Edição #174

Junho 15

Nesta edição

Felicidade

Quem fizer uma busca na sua timeline do Facebook por posts de momentos tristes, de dificuldades e problemas vividos por seus amigos, provavelmente encontrará poucas referências. Já se a procura for inversa, a lista será imensa. Mas estamos mesmo sempre felizes? E a tristeza e a melancolia? Foi a atual pressão social pela felicidade que provocou a matéria de capa desta edição.

Nas primeiras conversas com o jornalista Fábio Lucas, um dos exemplos mencionados de como essa pressão se manifesta no marketing foi o jingle de uma cadeia de supermercados nacional, que provoca a infelicidade do cliente com a repetição ad nauseam via caixas de som da frase “O que você faz pra ser feliz?”, enquanto ele empurra seu carrinho de compras. No mundo contemporâneo, é preciso ser feliz e essa meta – que todos querem atingir – está ligada à aquisição de bens, seja uma roupa, um sapato, um carro ou um celular de última geração. É como se houvesse uma inversão de valores, e aspectos relacionados à qualidade de vida se confundissem com a necessidade de ter e acumular coisas. A publicidade e os meios de comunicação são grandes aliados nessa doutrinação, levando o indivíduo à eterna insatisfação, quando não, à depressão, por não conseguir ser feliz!

Criamos nossos filhos tentando fazêlos acreditar que não há frustrações e que estamos sempre bem. Como coloca o doutor em Filosofia Felipe Campello: “A imposição do ‘ser feliz a qualquer custo’, que já em si mesma é contraditória, conduz a uma percepção – a meu ver, equivocada – de que a dor ou a imperfeição seriam estranhas à existência. O não estar feliz, portanto, é sinônimo de fracasso”.

Ainda que projetemos sobre objetos e aquisições nosso quinhão de felicidade, podemos nos perguntar de vez em quando, como num lapso: o que é felicidade, afinal? Tem bula? Na reportagem, a psicanalista Bianca Coutinho Dias nos remete a Lacan: “A felicidade, a menos que seja definida de modo bastante triste, ou seja, ser como todo mundo (…) a felicidade, é preciso dizê-lo, ninguém sabe o que é”. Se ela é indefinível, pode ser medida? Com este fim, foi criado o índice da Felicidade Interna Bruta (FIB), em que se listam os países mais ou menos “felizes”. Há critérios objetivos que apontam quem é mais feliz. Mas os cientistas sociais estão longe de um consenso sobre se estes podem indicar os fatores que resultam neste tão almejado estado.

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