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Curtas

Descompondo o silêncio

Novo álbum da banda Academia da Berlinda oferece calma e alegria em tempos de incertezas

TEXTO Augusto Tenório

30 de Março de 2020

Academia da Berlinda é formada por Alexandre Urêa, Tiné, Yuri Rabid, Gabriel Melo, Hugo Gila, Irandê Naguê e Tom Rocha

Academia da Berlinda é formada por Alexandre Urêa, Tiné, Yuri Rabid, Gabriel Melo, Hugo Gila, Irandê Naguê e Tom Rocha

Foto Bruna Valença/Divulgação

[conteúdo exclusivo Continente Online

Em Descompondo o silêncio, escutam-se vozes e ritmos que traduzem um cotidiano de lutas, ao mesmo tempo em que o colore com calma e alegria. O novo álbum da Academia da Berlinda, de título sugestivo para os tempos de isolamento social, foi pensado em 2019, bem antes de a pandemia do novo coronavírus chegar de paraquedas (ou de avião, ou de navio) em terras brasileiras. Apesar disso, surge como presente para quem segue na batalha silenciosa dentro de casa, tendo que equilibrar as tarefas diárias com o trabalho remoto e as incertezas sobre o futuro.

“Na verdade, o título do álbum vem da letra de A música não para e fala justamente sobre outro isolamento social. A ideia veio da nossa percepção de polarização política, que gera uma espécie de silêncio e falta de diálogo entre as pessoas”, comenta Tiné, responsável por voz, maraca e pandeiro da banda olindense. A arte – no caso, a música – serviria como ponte para encurtar essas distâncias. “A música não para,/ É trilha de pessoas, imagens, alegrias,/ tristezas e despedidas./ Bate no peito e a música não para, não”, dizem os versos da canção.

Ainda sobre as interpretações do título, cabe a curiosidade de que ele rompe com um intervalo de quatro anos, desde o último álbum do grupo – Nada sem ela. Lançado em 2016, o terceiro disco consolidou a Academia da Berlinda no cancioneiro popular jovem de Olinda, que, até então, contava com opções boêmias mais atrativas. Vale lembrar que, naqueles tempos, a Venda de Seu Biu ainda agitava a Rua Sete de Janeiro e o Vinil em Brasa rolava no beco ao lado da antiga Tropicasa. Músicas como Dorival e Só de tu eram comuns nesses e outros lugares.

Descompondo o silêncio mantém o ritmo dançante e alegre da banda, mas traz a sobriedade e a calma necessárias nestes tempos nos quais não conseguimos projetar bem o futuro. A abertura do álbum fica por conta de Derrotas e vitórias, com abordagem das lutas cotidianas no tradicional ritmo afro-caribenho da Academia da Berlinda. No campo das experimentações, temos Estrela do Norte, que faz uma interessante mistura de trovadorismo medieval com as batalhas de rimas do maracatu rural. Há, também, espaço para o semba, ritmo tradicional de Angola, em Semente do semba

Dessa forma, pode-se dizer que Descompondo o silêncio traz a impressão de que o grupo formado por Alexandre Urêa (voz e timbales), Tiné (voz, pandeiro e maraca), Yuri Rabid (baixo e voz), Gabriel Melo (guitarra), Hugo Gila (teclados), Irandê Naguê (bateria e percussão) e Tom Rocha (percussão e bateria) amadureceu e conseguiu manter o espírito jovem. Misturando experimentações e ritmos que agradam os ouvidos já acostumados com a banda, o disco é um trabalho especial, cujas 10 faixas inéditas foram compostas pelos próprios artistas. Além disso, o trabalho contou com a produção experiente de Alexandre Kassin e mixagem de Robert Carranza, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Rock Latino/Alternativo em 2004.

Escute o álbum na íntegra:

 

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