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Curtas

Divindades ancestrais

Série de ilustração de orixás feita pelo artista Ayodê França é lançada para 'download' gratuito

TEXTO Valentine Herold

15 de Abril de 2021

Padrão de Exu

Padrão de Exu

Ilustração Ayodê França/Divulgação

Passear pelo perfil do Instagram do artista Ayodê França (@ayode_franca) é mergulhar em um universo cativante, que honra a ancestralidade afro-brasileira e a cultura pernambucana. Entre caboclos de lança guitarristas, La Ursas passistas e uma Iemanjá maternal, amamentando, brincantes da cultura popular se encontram com orixás em cores e harmonia. Ayodê desenha há anos, mas inicialmente havia criado o perfil na rede social para divulgar seu trabalho de tatuador.

Com a chegada da pandemia em 2020, as tattoos ficaram em suspenso e ele começou a postar suas ilustrações, para manter a conexão com o público e partilhar com seus seguidores uma exposição virtual.

O que era para ser passageiro foi ganhando força e cada vez mais pessoas curiosas em adquirir os quadros. "A ampliação do alcance do meu trabalho, tanto em quantidade quanto em diversidade de público, me encantou e me fez produzir ainda mais, para continuar alimentando esse processo de expansão", conta o artista pernambucano. "Eu comecei a mudança achando que estava dando início a um processo específico, mas estava dando início a outro processo. E ao invés de tentar controlá-lo, resolvi me deixar levar por ele."

Nascido no Recife e criado em Peixinhos, bairro de Olinda, Ayodê cresceu com estímulo pelo gosto das manifestações artísticas locais. Há também o elemento da ancestralidade muito forte em sua produção artística. Para ele, uma maneira de lembrar da verdadeira história dos povos africanos que chegaram ao Brasil no período colonial. 

 


Obaluaye e Iemanjá. Ilustração: Ayodê França/Divulgação

"Somos introduzidos à história dos nosso ancestrais como se ela começasse no dia em que eles foram sequestrados de África para serem comercializados nas Américas. Mas os ritos, costumes e mitologias que sobreviveram ao esforço brutal de apagar nossa história, identidade e subjugar nossos corpos, são a prova de que essa tragédia é a apenas um recorte, um momento, dentro de uma trajetória muito maior, mais rica e bela."

Agora, com incentivo da Lei Aldir Blanc, Ayodê lança o projeto visual Divindades Ancestrais (Instagram @divindadesancestrais). São 20 ilustrações autorais, duas para cada orixá, representando as entidades, em iconografia das divindades e estampas. Os desenhos foram feitos manualmente em papel couché 200g, utilizando técnica mista, e posteriormente foram digitalizados. As ilustrações são disponibilizadas em alta resolução para uso gratuito e irrestrito nas mais diversas aplicações. Confira as artes aqui.

VALENTINE HEROLD, jornalista com mestrado em Sociologia.

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