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Curtas

Festival de Circo do Brasil 2019

Com o tema 'Super Humanos', evento ocupa ruas e equipamentos culturais do Recife de 1 a 10 deste mês

TEXTO Victor Augusto Tenório

01 de Novembro de 2019

Circo levanta a bandeira da superação em seu festival

Circo levanta a bandeira da superação em seu festival

Foto Divulgação

[conteúdo exclusivo Continente Online]

Muitos são os entendimentos
para o "Super Humano": há quem imagine alguém com superpoderes, há quem pense na superação nietzschiana do homem e há, também, quem interprete a própria existência como um processo de sequenciais superações. É dessa forma que o Festival de Circo do Brasil enxerga o artista circense, projetando-o como referência aos demais pela sua habilidade de enfrentar as diferentes adversidades para continuar existindo e realizando sua arte. A 15ª edição do evento, que vai desta sexta (1/11) ao dia 10 deste mês, promove reflexões existenciais levando programação a ruas e equipamentos culturais.

“É para falar sobre superação. Antes, essa questão do 'Super Humano' poderia ser interpretada somente como uma homenagem aos artistas de circo, que possuem uma história de superação incrível para fazer sua arte. Mas colocamos nós mesmos como 'Super Humanos', pois vivemos em um cenário bastante conturbado, com diversas mudanças, tendo que nos adaptar e superá-las todos os dias para continuar existindo. Mas também pode ser interpretada como uma história da humanidade, não só do momento”, explica Danielle Hoover, idealizadora do festival.


Cena do espetáculo Opá: uma missão, de Lívia Falcão. Foto: Divulgação

Ao celebrar e destacar as mudanças na arte e, claro, no circo, o festival tem como missão trazer diálogos entre a técnica circense tradicional e outras linguagens artísticas que agregam diferentes valores e transformações. Nesse sentido, a programação conta com trupes e grupos nacionais, ao mesmo tempo em que traz artistas da Argentina, Espanha, França e do Uruguai, que agregam técnicas teatrais e visuais da produção internacional.

“Aqui, principalmente no Nordeste, trabalha-se com uma margem pequena de valores monetários. E, além disso, esses artistas são pouco vistos pelo poder público, seja porque não fizeram escola, ou porque são de uma origem mais familiar, se tornando mais fechados às trocas com outras linguagens e formas de se fazer circo. A missão do festival é abrir o olhar para o circo do mundo todo, montando na cidade um picadeiro no qual cabem várias linguagens, tecnologias e outras dinâmicas artísticas que não se fecham na questão da técnica”, comenta Hoover.

Nesse sentido, colocando a própria existência, artística ou não, como uma questão de sequenciais superações e transformações, o Festival de Circo do Brasil celebra, em 2019, principalmente a sua própria realização. Dessa forma, amarra-se um novo ânimo para uma edição que poderia enveredar por caminhos que provocam reflexões não muito animadoras. Mesmo assim, a edição dos 15 anos é motivo de comemoração, até porque este ano o evento foi aprovado pelo Funcultura, patrocinado pela Prefeitura do Recife e recebeu apoio do Consulado da França, Instituto Francês e Embaixada da Espanha, enquanto tantos festivais do país agonizam a falta de apoio.


Grupo uruguaio Clap Clap faz parte da programação. Foto: Divulgação

“Acho que a importância do festival se dá em etapas. A primeira é a de formação de plateia e de revisitação do circo, de trazer um novo olhar sobre esta arte no mundo. No Brasil, nosso imaginário está muito ligado ao circo itinerante, que é visto como tradicional. Esse circo tem muita dificuldade de sobrevivência, o que é muito injusto, porque é uma arte que chega onde outras não caminham, se instalando onde não tem sala de cinema, teatro ou outros equipamentos culturais. Não se pode dizer que há decadência, mas, na verdade, uma perda de espaço em todo o mundo, seja por causa dos espaços urbanos ou pela estética e linguagem que deve ser renovada”, explica Danielle Hoover.

Para chegar aos diferente públicos, o festival coloca o circo para além das lonas. A programação conta projeções audiovisuais, oficinas e outras manifestações artísticas em ruas, teatros, cinemas e outros equipamentos da cidade, incluindo eventos descentralizados com entrada gratuita ou preços populares. "Hoje, os artistas passam por grandes dificuldades, seja para ocupar espaços, conseguir financiamento ou pela crucificação e caça às bruxas na visão do governo federal. E é importante falar desse ser, que tem esse poder de superação e, com coisas tão simples, consegue oferecer ao público uma esperança, uma nova forma de ver a vida, uma reflexão ou um suspiro."

Confira a programação no site do Festival de Circo do Brasil.



VICTOR AUGUSTO TENÓRIO é um jornalista em formação e estagiário da Continente.

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